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Monumentos e irracionais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os britânicos, ou ingleses, mudaram. Dizem. Como diziam que gostam mais de bicho do que de gente. Não creio que seja verdade. Coisa lá, ou cá, deles. De qualquer forma, na semana passada, com bastante atraso, e pouca divulgação mediática, foi inaugurado no Hyde Park, bem no centro de Londres, um monumento aos animais que deram, ou foram forçados a dar, suas vidas pela pátria nos mais diversos conflitos. A estátua custou quase US$ 2 milhões e foi projetada por David Blackhouse. Nela vemos duas mulas de bronze carregadas de material bélico, um cavalo e um cachorro. Ao lado, a seguinte inscrição: "Este monumento é dedicado a todos os animais que serviram e morreram ao lado de forças aliadas em diversas guerras e campanhas através dos tempos. Eles não tinham escolha." Não tinham mesmo. Na Net, consegui pinçar alguns dados. São em dose – se me permitem um infame jogo de palavras – cavalar. Oito milhões de cavalos mortos entre 1914 e 1918. Além de cavalos, perderam, ou ganharam sua ração diária de vida, cachorros, pombos-correios, camelos, gatos e – atenção – até mesmo vagalumes e pirilampos. Velhos militares foram ao local levar suas homenagens e espalhar suas lembranças. Das recentes, falou-se no cão Buster que, no ano passado, em Bagdá, farejou armamentos dos chamados insurgentes. Buster foi o sexagésimo animal a ser condecorado com a medalha Dickin, concedida por atos heróicos. Heróico também foi o gato Simon que, em 1949, a bordo da fragata Amethyst, capturada durante 100 dias pelos comunistas quando cruzava o rio Yangtze, na China, ajudou, mesmo ferido, a manter estável a população de ratos a bordo, impedindo assim a propagação de doenças contagiosas. Ao contrário de Buster e Simon, nenhum vagalume ou pirilampo, que tenha servido como auxílio luminoso na primeira guerra mundial, foi lembrado por nome. Se os ingleses, ou britânicos, quiserem mesmo manter a tradição, seria interessante se aqueles que se opõem à caça com cães, próxima a se tornar lei, fossem desde já bolando um Monumento à Raposa Desconhecida. Aí sim, a Grã-Bretanha dos bons tempos e lendas voltaria a seus tempos de glória, se glória era e houve. |
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