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O papel do segredo de Estado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Segundo as novas regras do jogo, mais de 50 mil arquivos mantidos secretos, de acordo com a agora obsoleta lei dos segredos de Estado, foram abertos na terça-feira, dia 4 de janeiro. Agora, todo cidadão terá, ao menos em teoria, o direito de ir lá xeretar o que for de seu interesse ou que julgue ser do interesse da relação entre o cidadão e o estado em que vive. A primeira prova viva do novo regime de franca abertura após três décadas foi notícia em mais de um jornal. Já se pode contar tudo: a batalha do funcionalismo público pelo papel higiênico mais macio levou 17 anos, de 1964 a 1981, e terminou com uma indiscutível vitória dos burocratas sobre os seus chefes. Em fevereiro de 1964, o dr. John Hunt, em carta endereçada ao equivalente ao Ministério da Fazenda, fazia uma indagação inusitada: um de seus pacientes, funcionário daquela instituição e sofredor de hemorróidas, queixava-se da aspereza do papel higiênico habitualmente usado nas repartições públicas. O dr. Hunt finalizava sua missiva perguntando se não haveria a possibilidade de o governo adotar oficialmente um papel mais macio. A questão foi passada para um médico do ministério, dr. Cornelius Medvei, que, em resposta a seu colega de profissão, alegou que por menor que fosse o aumento na verba de aquisição de um papel higiênico melhorzinho, isso poderia resultar em uma despesa extra de 130 mil libras por ano, uma fortuna na época e hoje também, frise-se. As coisas foram seguindo seu tortuoso caminho burocrático até que, na década de 80, o papel macio caiu de preço nivelando-se ao mais áspero, o que significou, finalmente, a longamente desejada mudança pedida pelo paciente do dr. John Hunt. Dos dois, os arquivos nada revelam. |
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