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Atualizado às: 17 de janeiro, 2005 - 11h22 GMT (09h22 Brasília)
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Turbilhão de melodias
Ivan Lessa
Pegar um metrô, para mim, não constitui problema. As estações de onde saio e onde chego, sempre de manhã e comecinho da tarde, têm freqüência séria e trabalhadora.

De noite, não posso jurar. Deixei de ser uma pessoa noturna. Noite, para mim, é ficar em casa, como o bom burguês em que me transformei, diante da televisão, ou, nada de interessante acontecendo nos 186 canais de que disponho (o que não é incomum), abrir um livro.

Pelo que sei, da TV e da leitura de jornais, as coisas andam meio bravas em matéria de grossura. Num mundo cada vez mais hostil, as pessoas se mostram cada vez mais empombadas.

Faz sentido. Além dos problemas com os hooligans, as autoridades ainda têm de enfrentar um número maior de desordeiros, graças à proliferação de bares e casas noturnas, sem falar dessa lei que vai, ainda este mês, liberar a beberagem 24 horas por dia.

Pensando bem: desordeiro é desordeiro de cara limpa mesmo. Criam caso para dar trabalho aos cientistas sociais. Complementam-se, vivem um do outro. Vai ver a bagunça toda que fazem nas ruas e praças, e nas estações de metrô, é sua maneira de protestar contra os psicólogos de massas e raças semelhantes.

Numa medida de rara insensatez, o metrô londrino resolveu introduzir, nas estações onde se verificam os maiores índices de bagunça, música enlatada de qualidade para, quero crer, serenar os ânimos das feras.

Vão tocar, nas horas de aperto, ou seja, lá pelas 10 ou 11 da noite, música “uncool”, segundo eles. Quer dizer, música quadrada.

E por quadrada entendam Vivaldi, Mozart e Pavarotti (cito os exemplos dados pelo metrô londrino). Com o maior respeito, isso é burrice da grossa. Vai irritar ainda mais a turma da pesada.

Taquem lá nos alto-falantes, e bem alto mesmo, as bandas mais altissonantes, mais acachapantes, mais “cool” que encontrarem. Isso desorientará ainda mais os brutos, já desorientados por sua condição social e os demônios da bebida, resultando numa almejada paz reconfortante para os passageiros comuns, sóbrios e ajustados à sociedade.

Abaixo, pois, Vivaldi, Mozart e Pavarotti. Principalmente este último cantando “Nessun Dorma”.

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