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Atualizado às: 18 de fevereiro, 2005 - 11h58 GMT (09h58 Brasília)
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Marmanjos nas compras
Ivan Lessa
Vocês, eu não sei. Eu sempre odiei ir às compras.

Apresso-me em esclarecer: perder tempo em livraria, ou em loja de discos, quando estes me interessavam, foi um dos prazeres de minha vida. Só. Livro e disco. O resto era um inferno.

Desde menino, não havia maior castigo do que ir, com mãe ou pai, às compras. Era uniforme de colégio, era calça, camisa, sapato. Chatice insuportável.

Tudo isso de vestir, no meu jovem entender, deveria aparecer como num passe de mágica em cima de minha cama. Depois, só o aborrecimento de experimentar pra ver se servia.

Agora, infernal mesmo era acompanhar minha mãe às compras. Tinha sempre uma vendedora que mexia no meu cabelo e perguntava como era meu nome. Confesso que, dependendo da balconista, a coisa até que não era das piores.

Daí, como é comum, eu cresci e as roupas passaram a aparecer exatamente como eu sonhara em infância: a camisa, a calça e até as cuequinhas surgiam e bastava eu vestir. Uma vez de posse de minha medidas essenciais, as roupas se tornaram simples como ABC.

Crescido e aparecido, continuo avesso às compras. Felizmente, morando em Londres, cada vez que preciso de calça, camisa e paletó (em Londres eu descobri o paletó), minha mulher, também de posse de meus dados vitais (pescoço tanto, cintura isso, gancho aquilo), dá uma passada na Marks&Spencer e resolve meu problema.

Não estou querendo fazer propaganda da instituição britânica. Nada levo na história. Apenas registro o fato inegável: a cadeia Marks&Spencer, tanto em roupas quanto em comidas, é uma das grandes paixões britânicas.

Como toda paixão, tem seus altos e baixos. Basta consultar um acionista. O relacionamento continua. Inclusive um ponto importante de vendas: a roupa não servindo, da camisa ou camisola à calça ou calcinha, as treinadíssimas balconistas não discutem – troca imediata.

Talvez por estar em baixa momentânea, a Marks&Spencer instituiu agora um novo sistema: creche para maridos, raça que, feito eu quando garoto, detesta compras.

Nas creches, os maridos ficam em sofás confortáveis, com computador na frente, DVD, o diabo. Direitinho feito crianças. Problema é se eles odiarem sofá, computador e DVD. Ao contrário das crianças.

Sim, viver é complicado.

Arquivo - Ivan
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