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Atualizado às: 11 de março, 2005 - 08h22 GMT (05h22 Brasília)
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De hooligans e cultura
Ivan Lessa
A primeira imagem que nos vinha à mente, há séculos, quando se falava dos ingleses, era daqueles cavalheiros de calça listrada, paletó preto, chapéu coco, guarda-chuva do lado, ou indo ou vindo da City.

Fleuma, ares arrogantes e chá das cinco faziam parte de seu show. Esse tipo virou protótipo. Tinha até uma tira em quadrinhos a respeito, o Bristow, que, como seu modelo, deve ter levado a breca, conforme diz uma expressão da época, ao menos entre nós, com nosso chapéu de palha, camisa listrada e pandeiro brincando na mão, para nos situar também no universo caricatural do lugar comum.

Outros tempos, outros modos, diziam os romanos antigos, de toga e perfil clássico, evidentemente.

Hooligan é o modelo atual dos ingleses. Pergunte a qualquer cidadão de qualquer cidade européia qual a idéia que fazem dos ingleses, principalmente uma cidade que tenha sofrido a passagem de um time de futebol acompanhado de seus torcedores, e ele lhe dirá que inglês é um cara mal-encarado, beberrão e brigão, além de péssimo perdedor ou mesmo vencedor. Vomitar e quebrar coisas e pessoas é sua forma clássica de expressão.

Civilizados?

Essa é a idéia recebida. Vamos agora à realidade. E realidade segundo acadêmico italiano, o que não é mole não. Segundo uma pesquisa realizada na Itália pelo Touring Clube Italiano (há algo mais confiável do que o Touring Clube italiano?), os ingleses, mais precisamente os britânicos, constituem o mais civilizado povo europeu, segundo padrões culturais.

Hooligan é mito, lenda urbana. A realidade é mais doce, muito mais lá em cima. Os britânicos – e são as estatísticas do Touring italiano que revelam – não passam a vida lendo tablóide coalhado de baixarias e puxando briga no pub.

Não. Os britânicos vão a mais concertos, peças de teatro, galerias de arte, museus e bibliotecas do que qualquer outra nacionalidade européia.

Eles só perdem a esportiva por perderem nos esportes. Talvez seja essa a tão procurada explicação para o fenômeno dos hooligans. E perdem nos campos de esportes e nas arquibancadas e gerais.

Franceses, italianos e espanhóis frequentam e praticam mais esportes. Um consolo, para eles, ingleses, que ganharam a Copa de 66 dos alemães aqui mesmo em Londres: os alemães são ainda menos chegados a uma chegada a um estádio do que os britânicos.

Mesmo assim, torcedor alemão quebra cara e alma muito menos que um hooligan de bom tamanho.

Agora, é só não demonstrar muito espírito esportivo em ópera, balé ou exposição de Caravaggio.

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