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Os britânicos adoram conselho. Não desses que as campanhas institucionais divulgam pela televisão (“Cuidado, não beba”), ou os amigos dão no botequim (“Vai, pede mais um chope, rapaz!”), mas aqueles em que vários indivíduos se reúnem, em caráter oficial, ou por aí, afim de executar ou estudar um determinado assunto. Por aqui, tem conselho de tudo. O Conselho do Sono é um bom exemplo. As regras do cronista medíocre ditam que, a esta altura das ponderações, estando eu na Grã-Bretanha, deveria abrir um parágrafo e citar o Cisne de Avon, o Bardo Imortal, e outros lugares-comuns, mais conhecido como Shakespeare: “Dormir, sonhar talvez”. Sem et ceteras. Tento a originalidade e me agarro em Cervantes: “Bendito aquele que inventou o sono, o manto que cobre todos os pensamentos humanos”. No que então, finalmente, acordado e aceso, vou ao assunto. O Conselho do Sono (Sleep Council) em pesquisa recente revelou que, entre a população destas ilhas, há profundas diferenças, e dorme-se de acordo com a profissão praticada. Dorminhocos No alto da lista, estão estes magníficos dorminhocos que são os advogados. Dormem uma média de 7 horas e 40 minutos por noite. 20% deles chegam às 10 horas de sono. Deve ser bom, embora cansativo, ser advogado. No último lugar da lista, estão – vejam vocês – os ilustres parlamentares. Não vão além das 5 horas e 20 minutos por noite. Quem foi que disse que política não é profissão de sacrifício? O Conselho do Sono, no entanto, não conta as cochiladas tiradas por eles no decorrer de chatíssimos papos ou discussões nas Câmaras, tanto dos Comuns quanto dos Lordes. Em último lugar na lista dos que se entregam aos braços de Morfeu (resolvi não poupar lugar comum ou frase feita) estão os médicos, cuja vida profissional exige a decantada (olha outro lugar comum) eterna vigilância na espera da ambulância (só para – quase – rimar). Marmelada O Conselho do Sono, de posse desses dados fascinantes, chega à conclusão de que todo mundo, não importa a profissão, precisa de uma boa noite de sono, embora não mencione se com ou sem sonho, já que isso é com outro conselho. E por falar em conselho, olha a marmelada aí, digo eu, indo agora de gíria antiga. O Conselho do Sono, é subsidiado pela Federação Nacional de Camas. Como todos sabem, uma boa noite de sono tem de se passar em cama com colchão, lençol e travesseiro. Menos no caso excepcional de nossos nordestinos, esses fortes, que preferem uma boa rede. Que, entre outras coisas, tem a vantagem de só ser montada com imensa dificuldade no plenário de uma câmara. |
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