|
Em meio à violência, Paquistão aguarda enterro de Bhutto | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As forças de segurança do Paquistão estão em estado de alerta nesta sexta-feira, em um momento em que é sepultado o corpo da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto. Pelo menos 11 pessoas morreram em confrontos nas últimas horas, após o anúncio da morte de Bhutto, de 54 anos, em um atentado suicida em um comício em Rawalpindi na quinta-feira, em que pereceram 20 outras pessoas. O corpo da líder oposicionista foi levado de avião para sua província natal, Sindh, onde as forças de segurança receberam ordem de abrir fogo contra manifestantes violentos. O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, declarou três dias de luto oficial. Escolas, centros comerciais e bancos fecharão por três dias. Em discurso em rádio e televisão, Musharraf pediu calma à população. O governo disse que os planos para as eleições parlamentares de 8 de janeiro não serão modificados. Mas o primeiro-ministro em exercício, Mohammedmian Soomro, afirmou que ainda serão consultados outros partidos políticos sobre o assunto. Segundo correspondentes, a morte da líder do maior partido de oposição do país, o PPP (Partido do Povo do Pakistão) lançou dúvida sobre a realização do pleito. O rival político de Bhutto, o também ex-premiê Nawaz Sharif, reagiu com indignação à morte da política e anunciou que seu partido, a Liga Muçulmana, vai boicotar as eleições. "Eu exijo que Musharraf renuncie ao poder, sem atraso de um dia sequer, para salvar o Paquistão", disse Sharif na quinta-feira. Ele convocou uma greve nacional para esta sexta-feira. O jornal Asia Times noticiou que um de seus correspondentes recebeu um telefonema de um comandante da rede extremista al-Qaeda no Afeganistão, Mustafa Abu al-Yazid, que disse que a organização está por trás do atentado que matou Bhutto. Mas o Ministério do Interior do Paquistão disse que não tem conhecimento de que alguém tenha reivindicado a autoria do ataque. Violência O assassinato de Bhutto levou integrantes do seu partido, o PPP, para as ruas. Manifestantes incendiaram bancos, lojas e veículos em várias cidades, especialmente em Sindh. Escritórios eleitorais da Liga Muçulmana do Paquistão também foram atacados. As forças de segurança do país foram colocadas em alerta. As 11 pessoas morreram em incidentes em Karachi, Lahore, Sargodha e Sukkur. Também houve violência em Peshawar, Tando Allahyar, Quetta, Multan e Shikarpur. Em Karachi, atiradores dispararam contra a população em diversas partes da cidade. O chefe de polícia da cidade disse que quatro pessoas morreram na última noite. Um policial foi morto em um distrito no leste da cidade. Segundo o correspondente da BBC em Karachi, Syed Shoaib Hasan, a violência continua na manhã desta sexta-feira no país. Enterro O corpo de Bhutto foi levado do hospital de Rawalpindi para o aeroporto. O caixão de madeira com seu corpo foi acompanhado na viagem pelo marido Asif Zardari e pelos três filhos do casal, que viajaram ao Paquistão de Dubai. Depois de chegar a Sukkur, o caixão foi transferido para um helicóptero e levado para a vila de Ghari Khuda Baksh, próximo à cidade de Larkana, em Sindh.
O funeral de Bhutto está marcado para as 13h (6h no horário de Brasília). Ela será enterrada ao lado de seu pai, o ex-premiê Zulfikar Ali Bhutto. Zulfikar Ali Bhutto foi deposto por um golpe militar pelo general Zia ul-Haq em 1977 e executado dois anos depois. Depois da morte de Zia, em uma explosão no seu avião em 1988, Benazir Bhutto tornou-se a primeira mulher democraticamente eleita como premiê em um país islâmico. Bhutto foi duas vezes premiê do Paquistão, de 1988 a 1990, e de 1993 a 1996. Ela foi afastada do poder em ambas ocasiões por denúncias de corrupção. Em outubro deste ano, ela voltou ao Paquistão depois de oito anos de exílio auto-imposto, enquanto negociava com Musharraf um acordo para dividir o poder, que garantiria anistia a ela. Ao chegar no Paquistão, ela sobreviveu a atentados a bomba contra uma carreata sua em Karachi, que matou mais de 130 pessoas. Na quinta-feira, durante o comício em Rawalpindi no qual acabou morrendo, Bhutto falou sobre o risco que corria: "Eu boto a minha vida em perigo e vim para cá porque sinto que esse país está em perigo. As pessoas estão preocupadas." Reações O assassinato de Bhutto foi condenado em todo o mundo. O Conselho de Segurança da ONU disse que se trata de um ato reprovável de terrorismo. O presidente George W. Bush disse que as pessoas que mataram Bhutto são extremistas determinados a derrotar a democracia do Paquistão. Musharraf foi à televisão para pedir que os paquistaneses resistam ao terrorismo. "Eu busco unidade e apoio da nação", disse. Ele não mencionou as eleições parlamentares em seu discurso. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Atentado no Paquistão mata ex-premiê Benazir Bhutto27 de dezembro, 2007 | Notícias Protestos colocam polícia do Paquistão em alerta vermelho27 de dezembro, 2007 | Notícias Termina estado de emergência no Paquistão15 dezembro, 2007 | BBC Report Ataque a base militar mata 5 no Paquistão15 dezembro, 2007 | BBC Report Estado de exceção no Paquistão termina no dia 16, diz Musharraf29 novembro, 2007 | BBC Report Bhutto descarta aliança e pede renúncia de Musharraf13 de novembro, 2007 | Notícias Bhutto: Eleição é 'passo positivo', mas insuficiente11 de novembro, 2007 | Notícias | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||