|
Premiê duas vezes, Bhutto teve trajetória política volátil; assista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Benazir Bhutto ocupou o cargo de primeira-ministra do Paquistão duas vezes e teve uma carreira política volátil, marcada por alguns períodos de grande popularidade e outros em que enfrentou acusações de corrupção. Nascida em 1953 e educada nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, ela se tornou, em 1988, a primeira mulher a ser democraticamente eleita para liderar um país de maioria muçulmana na era moderna. Depois de permanecer oito anos em exílio voluntário, Benazir havia voltado ao Paquistão neste ano e esperava voltar ao cargo de premiê após as eleições parlamentares, marcadas para janeiro.
Sua morte é mais um golpe contra uma das dinastias políticas mais influentes no Paquistão, iniciada pelo seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, primeiro-ministro do país nos anos 70. Solitária Zulfikar Bhutto foi executado em 1979, depois de ter sido vítima de um golpe militar liderado pelo general Zia Ul-Haq. Pouco antes da execução, Benazir foi presa e ficou boa parte de seus cinco anos de detenção na solitária – um período que ela descreveu como extremamente difícil. Nos períodos em que era liberada da prisão para tratamento médico, Benazir estabeleceu em Londres um escritório de seu partido, o Partido Popular do Paquistão (PPP), e iniciou uma campanha contra Zia. Ela se tornaria premiê pela primeira vez em 1988, depois da morte do general. Nessa época, Benazir atingiu o auge de sua popularidade no país, e sua imagem foi associada à renovação em um universo político dominado por homens. Anos depois, porém, seu nome seria ligado à acusações de corrupção, o que causou seu afastamento do poder em 1990 e em 1996, três anos depois de assumir seu segundo mandato. Marido O marido de Benazir, Asif Zardari, participou dos dois mandatos e foi acusado de roubar milhões de dólares em dinheiro público – algo que ele e Benazir sempre negaram. A ex-premiê enfrentava pelo menos cinco acusações de corrupção nos tribunais paquistaneses até ser perdoada, neste ano, pelas autoridades do Paquistão. Em 1999, Benazir Bhutto foi condenada à revelia a cinco anos de prisão e decidiu deixar o país, num exílio que durou oito anos. Benazir voltou ao Paquistão apenas em 18 de outubro deste ano, após receber a anistia. Seu retorno foi comemorado por milhares de simpatizantes do PPP, mas também marcado por atentados que mataram mais de 120 pessoas. Segundo analistas, Benazir Bhutto e o PPP eram vistos como aliados naturais do presidente Pervez Musharraf no esforço para isolar militantes islâmicos que atuam no país. No Ocidente, especialmente nos Estados Unidos, Benazir era considerada uma líder popular que poderia dar legitimidade aos esforços de Musharraf contra grupos extremistas. No Paquistão, alguns analistas acreditam que os entendimentos secretos entre Benazir e Musharraf para a formação de uma futura coalizão representavam uma traição dela aos ideais democráticos, já que davam força a Musharraf – que chegou ao poder em um golpe de Estado. Outros analistas no país acreditavam que os contatos entre Bhutto e Musharraf indicavam um avanço da parte dos militares, representados pelo presidente, e significavam um bom presságio para a democracia no país. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Termina estado de emergência no Paquistão15 dezembro, 2007 | BBC Report Ataque a base militar mata 5 no Paquistão15 dezembro, 2007 | BBC Report Estado de exceção no Paquistão termina no dia 16, diz Musharraf29 novembro, 2007 | BBC Report Enviado americano tenta resolver crise no Paquistão17 de novembro, 2007 | Notícias Bhutto descarta aliança e pede renúncia de Musharraf13 de novembro, 2007 | Notícias Bhutto: Eleição é 'passo positivo', mas insuficiente11 de novembro, 2007 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||