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O boom do rugby
Os heróis do campeonato mundial de rugby, conquistado na Austrália, estão de volta ao torrão natal. Desfile nas ruas, reunião com primeiro-ministro, champanha, sangue, suor, labor e lágrimas. As devidas honrarias virão no fim do ano: ordens, comendas, talvez um cavaleiro do reino. Se pudessem, cunhavam uma palavra só para definir o feito: assim como inventamos que somos "penta" em futebol, eles, os ingleses, bons de lexicografia, espalhariam pelos jornais – pelos muros! – o termo. Algo que resumisse, num monossílabo anglo-saxão, a magnífica conquista: campeões do mundo. Em alguma coisa, qualquer coisa: milagre que os driblava desde 1966, quando se viu, no estádio de Wembley, Bobby Moore erguer a copa do mundo, seguindo o exemplo dado por Bellini, 8 anos antes na Suécia. Esse é o resumo do carnaval que a mídia está fazendo sem, por uma vez, forçar a barra. Foi bonito o que a rapaziada conquistou nas antípodas. "Rapaziada", aliás, uma vírgula. Os jogadores vêm sendo chamados, carinhosamente, de "grumpy old men", isto é, "velhos rabujentos". Assim como se o Brasil tivesse sido – oquêi, vá lá que seja! – "penta" com astros da idade do Nilton Santos e do Pelé. A língua ferina do mundo sempre disse que os ingleses vão, inventam um jogo para depois outros, em algum lugar do mundo, praticá-lo. É só conferir: futebol, tênis, críquete, basquete de bolso, rugby. (Basquete de bolso é mentira. Mas em esporte vale tudo, à exceção do "vale-tudo".) Não mais. O sábado 24 de novembro de 2003 passará para o calendário esportivo inglês assim como o 16 de julho de 1950 passou para o dos uruguaios. Parêntese: curioso mas eu não sei de cor, nem a maior parte dos brasileiros sabe, as datas de nossas finais do "penta". O jogo inventado numa escola das Midlands em 1823 foi finalmente devolvido a uma nação agradecida e extasiada. Uma revolta social se anuncia. Passará um esporte quase que exclusivista, como o críquete, a ganhar também seus hooligans?, os editoriais perguntam impávidos, com essas e outras perguntas, inúteis todas. Tony Blair sorri. E sorri e sorri. Uma boa hora para convocar eleições gerais. Há pão quentinho por aí à espera de sopa e o circo anda à solta pelas cidades da Inglaterra. |
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