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Gente que chega
Londres não tem Estátua da Liberdade no Tâmisa, de archote em punho, dando boas vindas às massas em busca de abrigo. Apesar da ilha ser, em termos, pequena, sempre recebeu mais ou menos bem (oquêi, menos) de braços abertos imigrantes e refugiados. Lá por volta de 1600, cerca de 50 mil protestantes franceses, os huguenotes, ganharam permissão para aqui ficarem após perseguição religiosa sofrida na França. Deve-se a eles a origem da expressão "refugiado". Em 1840, cerca de um milhão de irlandeses famintos fixam-se nos novos centros industriais britânicos. O fato de que, segundo muitos historiadores, foram os próprios britânicos os responsáveis pelos males da Irlanda é outra conversa. Por volta de 1890, 100 mil judeus europeus chegam à Grã-Bretanha. Anos 30 do século passado e, novamente, 56 mil judeus chegam fugindo da perseguição nazista. Hoje, pela primeira vez na história, o líder do partido Conservador é judeu. Entre 1955 e 1962, 472 mil cidadãos da Commonwealth, principalmente do Caribe e do sul da Ásia, mudam-se para a Grã-Bretanha, muitos recrutados pelos departamentos de transportes (ônibus, metrô, trem). Nos anos 70, 30 mil asiáticos são expulsos de Uganda pelo general Idi Amin e obtêm permissão para se instalarem no Reino Unido. Não é, pois, uma história de preconceituoso isolamento. Segundo uma pesquisa recente, de 1997 para cá, desde que o Partido Trabalhista subiu ao poder, dobrou o número de imigrantes, agora pela casa dos 250 mil por ano, sendo que, deles, 95% não fazem parte da União Européia. O outro lado da moeda: em 2002, mais de 91 mil britânicos deixaram as ilhas em busca de vida nova, o que geralmente quer dizer Austrália, Nova Zelândia ou Espanha. A sociedade britânica está mudando. Nem todo mundo, no entanto, está de braços abertos correndo para abraçar quem chega. A colunista Minette Marrin, do Sunday Times, ela mesma descendente de huguenotes, em seu último artigo passou três colunas e meia página explicando que a lotação da ilha, como um cinema, está esgotada. Justiça seja feita: ela defende, e bem, seu ponto de vista, citando números e estatísticas, além de apontar para o fato de que o próprio ministro do Interior já confessou que o sistema está descontrolado e que ele não tem a menor idéia de a quantas andam as coisas e o que isso pode representar para a carga do sistema de segurança social. Na certa, é por esse motivo que Bush e vasto séquito não vão ficar aqui mais que três dias. |
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