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Bush vem aí
Londres já está engalanada para receber o presidente Bush. O Mall, que leva ao palácio de Buckingham, coberto de vastas bandeiras dos dois países amigos de coalizão. A polícia metropolitana tratando dos devidos policiamentos metropolitanos. Uns 12 ativistas dizendo que esperam mais de 100 mil manifestantes nas ruas. Umas 5 autoridades garantindo que o número não ultrapassará os 65 mil. Discussão agora para ver quem é que paga a conta da segurança do presidente e seus 250 secretas encarregados de defender a vida de Bush durante os 3 dias que ele passará na capital londrina. A polícia de Londres, em louvável e inesperada atitude, insiste no fato de que a “dolorosa” não deva acabar nas mãos dos contribuintes residentes nos bairros afetados pela visita presidencial. Cartas para os jornais concordando com as autoridades policiais, mas insistindo que o resto dos contribuintes não deve também arcar com qualquer despesa. Muitas cartas para os jornais. Outra reclamação: o fato de a segurança de Bush ter proposto (exigido?) uma zona de exclusão na cidade e sugerindo que medidas semelhantes são mais adequadas aos países economicamente subjugados pelos americanos – estaria a Grã-Bretanha nessa categoria?, perguntam. No meio disso tudo, o primeiro-ministro Tony Blair lembra, como se fosse necessário, que há “tremendas dificuldades” a serem enfrentadas no Iraque e que a visita de Bush irá possivelmente propiciar uma nova política para a transição de poder naquele país, deixando-o entregue aos cuidados de seus habitantes, ou melhor, de seus cuidadosamente escolhidos habitantes. Como “possivelmente”?, querem saber alguns missivistas. Querem saber ainda se é mesmo necessário o presidente americano e sua senhora ficarem hospedados no Palácio de Buckingham, tomando chá e jantando com a rainha Elizabeth, para resolver qualquer probleminha naquele país que já fez parte do notório Eixo do Mal. Querem saber se é a rainha quem irá perguntar pelos cidadãos britânicos detidos sem acusação formal na base americana em Guantánamo ou a delicada missão caberá ao ministro do Exterior Jack Straw? Uma coisa sabe-se, uma coisa é garantida: por uma vez, Bush está bem assessorado. Ano que vem é ano de eleições nos Estados Unidos e a rainha da Inglaterra é uma das poucas altas personalidades européias que os americanos reconhecem de bate-pronto. A foto vai sair caro e custará alguns problemas. Mas garante pelo menos – americano é meio bobo – uns 100 votos. Como no ano 2000, o suficiente para se ganhar uma eleição. |
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