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Atualizado às: 31 de outubro, 2003 - 14h11 GMT (12h11 Brasília)
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Raloim
Ivan Lessa


Aí está de novo: a tradição druida importada pelos americanos, por eles transformada e por nós macaqueada. Um dia que acabou virando a noite das bruxas, do fantasmagórico e do sobrenatural.

Até o início dos anos 80, os ingleses desconheciam solenemente as cerimônias infantis do Halloween. Crianças vestidas de bruxa americana de história em quadrinhos batendo na porta dos vizinhos pedindo balas, bruta abóbora com uma vela dentro sorrindo na janela. Como isso foi parar no Brasil, não sei. Há uma teoria de que tenha ido junto com o crack e o hip hop.

Os americanos, aqui e ali, vêm começando a se queixar do festival de sangue em que acabou se transformando a festa que, em seus primórdios, era de uma inocência digna da pequena bruxa Meméia da Luluzinha.

Acabou virando, de uns anos para cá, filmes de horror, mas daqueles que primam pelas chacinas com serra elétrica, machado, facão de cozinha e outros aparelhos domésticos. Não culparam o terrorismo druida e a indústria, que representa uns bons US$ 7 bilhões por ano, faria ouvidos de mouro, ou sunita, está pouco ligando. A chacina prosseguirá impávida.

Mas e nosso Brasil? Que eu saiba não há dinheiro no negócio. Sequer há negócio. Apenas espírito de imitação. Apesar de já ter sugerido a adoção do 31 de outubro como Dia do Saci, tendo sido emprenhado pelo ouvido por simpáticos cidadãos do interior de São Paulo, tudo indica que, para variar, meu pedido foi em vão e Lessa.

Fiquei sabendo pelas folhas, outro dia mesmo, que há no Brasil entre 6 e 8 milhões de crianças abandonadas. Pelas mesmas folhas, no início da semana, tomei conhecimento de que uma garotada armou o primeiro arrastão da temporada nas praias da Zona Sul do Rio de Janeiro. Levaram dinheiro, roupas, máquinas fotográficas, cordões de ouro, o que houvesse. Aqui e ali, alguns espancamentos.

Minha sugestão é a seguinte: se não querem oficializar o Saci, peguem as meninadas dos arrastões e promovam farta distribuição de doces e confeitos entre elas. Teríamos solucionado o problema do crime infanto-juvenil que passaria, assim, prontamente à condição de folclore moderno e vibrante. Sem falar que estaríamos evitando a vergonha de estar, mais uma vez, imitando nossos grandes irmãos do norte.

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