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Atualizado às: 04 de novembro, 2003 - 11h32 GMT (09h32 Brasília)
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Do parar de fumar
Ivan Lessa


Mais chato que fumante só mesmo ex-fumante. Depois vêm os que nunca fumaram. Agora, aqui no Reino Unido, discutem a possibilidade de fazer de todos os lugares públicos zonas livres de tabagismo.

Exatamente à maneira dos americanos. Mais um aspecto da coalizão que, assim como o Halloween e o Iraque, chega às margens das ilhas que habito.

O fato de que ninguém provou, até hoje, que o fumo passivo causa – não evitemos a palavra – câncer, não impediu nos Estados Unidos de não haver mais um cantinho, uma Sibéria, onde os fumantes possam ficar se soprando a fumaça que amanhã, ou depois, vai lhes doer no coração, nos pulmões, para não falar, de novo, daquela doença que já citei.

Tenho dificuldade em visualizar um pub que não seja enfumaçado. Um clube onde a garotada não esteja, no mínimo, puxando um daqueles cigarros que já foram chamados de “de arte”.

Jazz

Nem falar dos clubes de jazz. Primeiro, jazz não existe mais. Segundo, morreu todo mundo. Nem sempre do coração ou do pulmão ou “daquilo”.

Admito: sou um ex-fumante. Jogo nesse time sem nenhum orgulho ou presunção.

Agora, em novembro, vou completar dois anos sem botar um cigarrinho na boca ou segurá-lo com graça entre polegar e indicador.

Parei depois de 50 anos de fumar feito um louco. Aos 16 anos, minha mãe desistiu de me proibir. De lá até 2001, foi uma média de 2 a 3 maços por dia.

Humphrey Bogart

Eu gostava de fumar. Fumar cigarro americano como o que dançava no canto da boca de Humphrey Bogart ou fazia malabarismos nos dedos da mão de Bette Davis.

Sim, confesso, eu também tive o meu tempo de Raloim. Fui vítima alegremente cúmplice do que hoje chamam de vício maldito.

Mas no dia 21 de novembro de 2001, sem qualquer tipo de pressão, eu olhei para o maço de cigarros, ele me olhou de volta e, como nos grandes casos de amor, demos tudo por encerrado.

Não foi preciso aquela goma de mascar ou os esparadrapos de nicotina. Eu apenas parei e não pensei mais nisso.

Não tive, e não tenho, saudade e nem me incomodo se fumam em torno de mim. Fumar, como tanta coisa em minha vida, simplesmente passou.

Ficou uma pequena tosse que, antes, inexistia e surgiram alguns problemas cardíacos e pulmonares. “Tá vendo”, dizem-me os médicos. Não, não estou vendo nada.

Também meus papilos gustativos não descobriram um mundo novo de sabores e todas as vantagens da castidade tabagista se me escaparam. Sobrou apenas o prazer dos mais relativos de assistir distante a zorra em torno do cigarro e seus males.

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