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Atualizado às: 24 de novembro, 2003 - 18h10 GMT (16h10 Brasília)
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Corações e bancos
Ivan Lessa


"Depois de meu episódio cardíaco…". Sempre morri de inveja das pessoas que diziam isso. Parecia que elas tinham acabado de tomar parte num seriado antigão ou participado de um filme da série do Guerra nas Estrelas, do George Lucas. As pessoas falavam de seu episódio cardíaco e continuavam fumando seu cigarrinho ou tomando seu uisquezinho. Pessoas enormes lidando com diminutivos.

Chegou, enfim, o dia em que eu pude falar de meu episódio cardíaco. Foi há exatamente dois anos. Parabéns pra você, nesta data querida, meu coração.

Nada de muito sério. Um bruto resfriado que acabou se transformando em pneumonia. Demora na recuperação. Muito cansaço depois. Meu médico me deu o feijão com arroz de sempre – tomou pressão, ouviu o peito – e diagnosticou: "É arritmia. Fibrilação atrial".

Simplificando aquilo que, depois de ele me explicar pacientemente, fui catar pela Net, navegando com o legítimo cansaço de pessoa categorizada: meu coração batia errado, fora do devido ritmo, "atravessando" como um mau sambista. Daí foi remédio após remédio, felizmente tudo de graça pois já estou na idade em que não se paga mais por receita na Grã-Bretanha. Os remédios continuam fazendo parte de meu "episódio cardíaco", como o caubói vilão de longos bigodes e todo vestido de preto.

Depois de um episódio cardíaco, a gente descobre muita coisa. Primeiro, o óbvio: viver ainda é a melhor opção. A seguir, uns lugares-comuns: eu deveria ter fumado menos, cuidado melhor de mim mesmo. No dia a dia, o problema é simples: andar um pouco e logo ficar botando os bofes para fora.

Data de então minha descoberta de que Londres é uma péssima cidade em matéria de bancos. Nas praças e jardins, tudo bem. Bancos à beça. Mas só agora meu coração desritmado bate com pena do turista fazendo compras em Oxford Street, vendo os pombos de Trafalgar Square, ou simplesmente andando por aí.

Banco? Não é aqui, não senhor. Tente Paris, Viena, Lisboa, Madri. E Nova York, principalmente. Sugiro, pois: turistas, tragam vossos corações em ordem ou então bancos portáteis.

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