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40 anos sem JFK
"Onde é que você estava no dia em que mataram Kennedy?" Um lugar-comum que acabou. Virou passadismo, ficou – como dizem com aquela palavrinha detestável – "datado". Um dia todo mundo sabia onde estava no dia em que mataram Kennedy. Logo depois, todo mundo tinha sua teoria conspiratória para explicar o assassinato. Agora, nada disso inspira curiosidade. O problema é o tempo. Para uma pessoa se lembrar do que estava fazendo no dia 22 de novembro de 1963, teria de ser hoje, no mínimo, quarentona. E qualquer lembrança ficaria sujeita a tantas dúvidas quanto constam do relatório Warren, que investigou o assassinato. Nós, brasileiros, como sempre, não queremos ficar atrás em nada. Como viver sem uma boa teoria conspiratória? Agora mesmo (coincidência?) está sendo editado no Brasil um livro adiantando uma explicação para a morte, em nove meses, de Jango, Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. Os mais velhos ficaram cínicos e preferem se lembrar de outras coisas. Onde estavam ontem à noite, por exemplo. Ou especular se vão estar por aqui amanhã de manhã. Também preferem outros falecimentos. Mais próximos. Morreu muita, mas muita de nossa gente nesses 40 anos. Subitamente passamos, quase sem sentir, a nos voltarmos apenas para os mortos pessoais e intransferíveis, aqueles a que chamamos "nossos mortos". Família, amigos. Destes, e do dia e da hora que se foram, sabemos de detalhes que gostaríamos ou de esquecer ou de guardar escondido no fundo de uma gaveta para ninguém ver, saber, tocar. Quando lembramos, é para render homenagem. Silenciosa homenagem. Nossos mortos não são líderes políticos, como Kennedy, ou astros de cinema, feita Marilyn, ou ídolos do rock, feito John Lennon. Fazemos parte de uma vasta conspiração e, como nos livros sobre teorias conspiratórias do assassinato de JFK, é apenas uma questão de tempo encontrarmos a nossa primeira, segunda e terceira bala, para citar, de passagem, uma das teorias mais populares. Só há uma conspiração: viver. |
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