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Yoko: O Nu
Yoko Ono, a viúva mais famosa do mundo, ameaçou e vai cumprir: ficará nua de novo, desta vez aos 70 anos. O infausto evento, ao menos, não terá lugar em Londres, que já tem bastante problemas, mas sim em Paris, 15 de setembro, no Théâtre le Ranelagh. Yoko estará repetindo uma de suas proezas mais notórias de arte conceitual, efetuada pela primeira vez em Tóquio, em 1964. Na época, segundo a artista, ela agiu com “ira e turbulência no coração”. Os dois sentimentos manifestavam-se da seguinte maneira: Yoko ficava de pé num palco coberta apenas por um longo vestido e convidava a platéia a cortar pedaços de sua diáfana veste até que, numa visão horripilante, talvez simbólica do conflito no Vietnã, a então filha dileta de um multimilionário japonês ficava completamente nua. 'Choque e pavor' Antedatou, por assim dizer, a atual técnica militar americana do “shock and awe”, o “choque e pavor”. Segunda a famosa viúva, desta feita, em essência, a coisa seguirá o mesmo roteiro, com a seleta platéia presente convidada a recortar, com uma tesoura, um pedaço de sua – se assim podemos chamá-la – “camisola do dia” em tamanho que não exceda o de um cartão postal. Em vista dos antecedentes da família, seria bom as autoridades ficarem de olho nessa tesoura. Lembrai-vos de Mark Chapman, doce Yoko, um baita fã de John! O objetivo deste happening, tão retrô, sempre segundo a conceitual e conceituada artista, é deixar claro o seu desprezo pelo que chama de “a força e a intimidação que permeiam o nosso ar”. A noitada foi batizada de “Cut Piece”, nada sutil jogo de palavras com corte, pedaço e paz. No fim dos anos 60, Yoko Ono nua, na capa de um elepê, com o seu então companheiro John Lennon, foi a responsável pelo fim da era hippie e não os assassinatos praticados na Califórnia por Charles Manson e seus seguidores. Da sua nudez, pode-se dizer com autoridade: foi ela que acabou com o sonho. Tão nua, tão pelada, tão despida era a nudez de Yoko, que o disco teve de ter sua capa apreendida pelas autoridades para manter vivo o pouco que ainda sobrava do sonho alternativo. Madame Lennon agora aí está de novo: ameaçando-nos a todos no centro cultural do mundo ocidental, Paris, como se fosse uma Osama Bin Laden da nudez. |
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