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Atualizado às: 27 de agosto, 2003 - 12h04 GMT (09h04 Brasília)
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Uma porção de regimes
Ivan Lessa

Fez uma volta agora às paradas de livros mais vendidos, a dieta de um senhor doutor americano chamado Atkins. Corre que gente andou morrendo.

Falar nisso, correr também já foi moda e seu inventor morreu fazendo o exercício que bolou no Central Park de Nova York. Num mundo magro, os americanos engordam - e depois querem emagrecer.

Agora, além do terrorismo de destruição em massa iraquiano (acho que é isso), uma das coisas que mais preocupa os americanos, e por tabela o resto do mundo, é a obesidade.

Para desgosto dos súditos de George W. Bush, eles já notaram, já que volta e meia um jornal ou programa de televisão noticia, os franceses, seus tradicionais inimigos, comem de se empanturrar, bebem como uns loucos, se entopem de doces e, no entanto – pasmai, americanos!,– não engordam. Ou seja, não são um povo obeso. Mais: não morrem de excessos de calorias.

A esse fenônemo, os americanos, que vêem intelectualidade em tudo que os gauleses fazem, acham e dizem, batizaram de “o paradoxo francês”. Apenas 7% dos franceses são obesos, comparados a 22% de todos americanos. As coronárias são as responsáveis pelo maior número de mortes nos EUA. Na França? Nem te ligo.

Os franceses fumam Gitanes, Gauloises, os mais fortes cigarros do mundo, vão de amanteigadíssimos brioches, comem tudo quanto é gordura, engordam de propósito e despropositadamente aqueles patinhos só para degustar o figadão deles, bebem vinho branco, tinto, conhaque, tomam café fortíssimo a todas horas do dia e, de tardinha, tacam ficha nos doces mais doces do mundo. E continuam de pé cantando “A Marselhesa” e condenando a invasão do Iraque. Como explicar o fenômeno ?

Esse o problema dos cientistas ufanistas americanos. Agora, um conseguiu. No número de setembro da revista “Ciência Psicológica” estão publicados os resultados de uma longa e complicada pesquisa que equipes americanas e francesas andaram fazendo em seus respectivos países.

O resultado é simples: as porções francesas são menores. Resumindo: não precisa de dieta ou regime nenhum. Basta comer menos. É feito um gênero no qual, além da alta cozinha, os franceses são mestres: o epigrama. Só.

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