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Atualizado às: 22 de agosto, 2003 - 16h49 GMT (13h49 Brasília)
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Pró-hífen e anti-hífen
Ivan Lessa

Uma safadeza o que estão fazendo aqui com o hífen e o apóstrofo, até há bem pouco duas das glórias do idioma de Shakespeare e David Beckham.

Equipes de pesquisa da segunda edição do esplêndido dicionário Oxford de inglês alegam que os hífens estão sendo usados em cerca de 50% a menos do que há 10 anos.

As coisas pioram. Os apóstrofos ninguém mais os sabe empregar, para colocar de forma luso-pedante o problema.

Vamos primeiro aos hífens.

Em inglês, os hífens passaram a dar o ar de sua graça e picardia em frases onde não tinham nada que se meter. Como em "set-up" ou "top-up".

É a globalização da ignorância. Em português, há séculos que os hífens foram para a cucuia, como se dizia há séculos.

Eu sempre lutei pelo hífen. Em português, inglês, francês, onde desse pé.

De repente, surgem manuais de redação e estilo, tomos possivelmente ditados pela Academia Brasileira de Letras, decretando aonde vão e não vão os hífens.

A independência fonética dos hífens passa a ser decretada nos quartéis da ditadura léxico-gráfica (e esse hífen aí ninguém é homem para me tirar!).

Entendo o hífen em "pé-de-meia" e "couve-flor". Basta olhar para uma coisa e outra, os objetos originais, para ver: é, têm hífen, sim.

"Bel-prazer", por uma questão de modos e tradição, também tem hífen.

E nas formas verbais, feito “hifenizá-lo” etc. e tal.

Agora, quando entra no mundo do anti-, do extra- e do infra-, aí é uma zorra.

Minha tendência é, conforme já disse, hifenizar tudo, mesmo o que comece com alvi, anglo (principalmente anglo) e por aí afora até o zoo-tudo.

Super-homem é a palavra com o mais poderoso hífen do mundo, capaz de correr mais que um trem e saltar edifícios. Nesse que ninguém mexa.

Mas "fim de semana" nos ameaçam e nos obrigam a escrever assim mesmo: sem hífen. Pura empulhação. Nada mais hifenado do que fim-de-semana.

Constatem: um hífen para cada noite – a de sexta e a de sábado ligando os três dias em que subimos para a serra.

Quanto ao apóstrofo, nós nos damos muito pouco com essa figura, já que o esquema diacrítico de substituir letra por apóstrofo não é coisa de brasileiro, ou seja, não é coisa de homem.

Muito menos chamar de – há! – "apóstrofe", coisa de mulherzinha. Nós gostamos de errar com todas as letras.

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