|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Caso de polícia
Estamos em pleno carnaval londrino. O comum é chamá-lo de Carnaval de Notting Hill, já que neste aprazível e cinematográfico bairro é que a festança começou. Era um dia só e nasceu de um rompante espontâneo da comunidade caribenha. Com o tempo, foi perdendo a localização específica no mapa, embora ainda se circunscreva apenas ao referido bairro. Mas há dois anos que já se fala em ampliá-lo, levá-lo pelo menos até o Hyde Park. Deve chegar lá. O mundo é lúdico, o prefeito de Londres também. Quanto ao tempo, esse já cresceu há muito. De um dia para outro passou, quase sem se perceber, a dois dias para depois – vamos abrir o jogo – três dias. Ainda não avança noite adianta, as cabrochas não rebolam até o sol raiar, não há baile particular, nem lança-perfume. Mas confete e serpentina estão presentes e a música vai deixando aquela batida meio monótona dos galões de gasolina calibrados nota por nota para esquentar mais um pouco: influência da atual música pop e – atenção! – o samba. Ele mesmo, sim senhor. Ninguém sabe o número certo de brasileiros, legais e ilegais, em Londres, mas mesmo que fossem apenas 17 sua influência se faria sentir. Nós nos fazemos sentir em qualquer parte do mundo e nas mais adversas condições, por que iríamos perdoar o Carnaval de Notting Hill? Mas o negócio é que, como no Brasil, de vez em quando, um ano ou outro, as coisas engrossam e sai um pau no carnaval. A polícia londrina, cheia de dedos, para não alimentar as habituais reclamações de discriminação racial, trata o Carnaval de Notting Hill como se fossem eles os responsáveis pela festança. Este ano, no entanto, acho que exageraram. Vejam só: a polícia enviou, na semana que antecede o que vai beirando o tríduo momesco, cartas para 80 criadores de caso, avisando-os que seria melhor que, em 2003, pensassem duas vezes e não passassem nem perto de Notting Hill, na parte ocidental de Londres. Não sei se foi enviado e-mail. De qualquer forma, nós que vivemos querendo imitar os outros, podíamos pegar uma deixa nessa e, ano que vem, enviar missiva, talvez um pouco mais cordial, para a turma enfezada do tráfico que atrapalha o nosso carnaval, que, sabemos, é o maior do mundo. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||