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Atualizado às: 01 de setembro, 2003 - 10h34 GMT (07h34 Brasília)
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Ivan Lessa: Free at last!


Sábado, dia 31, folheando o caderno de notas informáticas que é o sítio da BBC News, versão em inglês do Reino Unido, pesquei lá na primeira página uma notícia enviada de São Paulo pela jornalista Jan Rocha.

Excelente notícia!

Informava que inspetores do ministério da Trabalho haviam libertado 849 escravos ( é “slaves” em inglês; chato, né?) numa plantação de café perto da cidade de Barreiras, na Bahia.

Os bravos agentes, que não sei se liderados por alguma descendente da princesa Isabel ou não, cumpriram sua missão redentora (“Escravidão Zero”?) baseados numa dica, digamos assim, dada por um político local.

Só uma pessoa muito cínica, um estrangeiro safado, eu diria exagerando, veria na denúncia qualquer interesse pessoal. Em absoluto. Ninguém segura o processo iniciado a 13 de maio de 1888. Pode ser lento e gradual, como certas distensões, mas é, eu vos garanto, irreversível.

O mesmo despacho – que é a linguagem do metiê para uma informação jornalística escrita com base em dados verificáveis – acrescenta que, só neste ano de 2003, perto de 2 mil escravos foram libertados, a maior parte na região amazônica.

A jornalista acrescenta que a escravidão, ou o trabalho forçado, se formos arar a fértil terra brasileira dos eufemismos, é quase sempre resultado dos trabalhos folgados de fazendeiros ricos, de abastados plantadores disso ou daquilo outro, muitos deles políticos eleitos.

O político eleito é um dos maiores produtos naturais do Brasil. Assim como o café.

Uma coisa, nessa história dos escravos baianos, me deixou com a pulga atrás do orelha, fato muito comum alías (pulgas atrás de orelhas) à época em que a filha de D. Pedro II iniciou a redenção que serviu de tema a tantos desfiles de escolas de samba e canções populares.

Refiro-me ao número de escravos libertados - livres enfim! -, como no famoso discurso do reverendo Martin Luther King Jr., dos grilhões da escravidão. 849. É um pouco preciso demais. Por que não “mais de 800”? Ou “perto de 850”? Eles tinham carteirinha assinada? Não creio. Seu número cravado a fogo no corpo? Não iríamos tão longe assim. Os 2mil da Amazônia, tudo bem. Redondo. Mas 849 pega mal.

Tão mal que os jornais brasileiros nem passaram perto da notícia. Devem saber do que não estão falando.

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