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Atualizado às: 03 de setembro, 2003 - 11h45 GMT (08h45 Brasília)
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O jazz no divã


Assim como há gente que acredita na homeopatia, feito a Rainha da Inglaterra, há também gente que acredita em psiquiatria.

O importante é acreditar. Macumba, democracia, arma de destruição em massa, não importa o quê. Conforme as crianças de antigamente diziam: é uma questão de fé de mais ou fé de menos.

Uma das coisas mais engraçadas do mundo é a psiquiatria.

O amigo que me ouve ou lê que pare e pense: quantas piadas tendo a psiquiatria como tema você conhece? Quanto cartuns já viu (e não achou graça)? Sabe a diferença entre psiquiatria e psicanálise? Faz diferença? Pois é. Mais engraçados só mesmo os artigos, teses e estudos encontrados nas publicações oficiais especializadas.

Aqui no Reino Unido, onde a psiquiatria ainda é uma gostosa realidade, muito mais interessante e divertida do que inquérito sobre armas de destruição em massa, há o British Journal of Psichiatry, órgão oficial da profissão.

Artigos e praticantes daquilo que se acredita ciência não são tão enrolados quanto seus equivalentes franceses mas dão para o gasto.

Eles dizem besteira de uma maneira mais séria e óbvia, que poderíamos perfeitamente arquivar naquela nossa maldosa coleção de piadas de português.

Folheio o exemplar de setembro da seríssima revistona. Entre artigos apenas pesados e chatos que, em matéria de tema, vão dos “estímulos do nervo vago e a depressão refratória” à “adaptação cultural de medidas de saúde mental” (é, eu também não entendi), lá encontro um texto do dr. Rob Poole sobre criatividade, desordem mental e jazz.

Esse me falava ao vinil. Nele mergulhei e dou um resumo.

Seguinte: o estudo do ilustre doutorzinho me informa que uma pesquisa revelou que grandes intérpretes do jazz, tais como Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Miles Davis, apresentavam sintomas clássicos de quem abusou do álcool e das drogas, o que pode levar às desordens mentais.

Das desordens mentais, uai!, é um pulo para a “genialidade” nessa arte que foi uma das grandes contribuições culturais americanas para o século que passou.

Portanto, é oficial: Miles Davis tomava drogas. Qual! Este mundo está perdido.

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