BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 02 de abril, 2004 - 09h52 GMT (05h52 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Sucessão no FMI é 'anacrônica', dizem analistas

O ministro da Economia da Espanha, Rodrigo Rato, cotado para o cargo de diretor-gerente do FMI
Rodrigo Rato, o ministro da Economia da Espanha, tem o apoio do Brasil para o comando do FMI
Há um consenso entre analistas e grande aceitação entre os governos representados no Fundo Monetário Internacional de que a velha convenção que dá a diretoria do FMI para um europeu e o comando do Banco Mundial a um americano é "anacrônica" e precisa ser revista.

Mas ao mesmo tempo, poucos acreditam que haja chances reais de que o processo de nomeação em curso quebre a tradição nascida junto com as duas instituições financeiras, ao fim da Segunda Guerra Mundial.

“O sistema atual é sem dúvida anacrônico, mas acho improvável que mudanças aconteçam a curto prazo e impossível que afetem a nomeação do sucessor de Hoerst Kohler”, acredita o analista da consultoria econômica G7, de Washington, Alex Kazan.

“Europeus e americanos podem concordar que o processo é falho, mas não há incentivos para que eles o mudem. Os europeus certamente não vão desistir de conseguir o comando do FMI e os americanos provavelmente sentem o mesmo em relação ao Banco Mundial.”

Pressão

Desde que o alemão Hoerst Kohler anunciou sua renúncia da diretoria-geral do FMI, no início de março, diversos grupos de países em desenvolvimento passaram a cobrar um processo de seleção mais transparente e que não limite os candidatos a algumas nacionalidades. Mesmo nestes grupos, no entanto, há sérias dúvidas sobre a viabilidade da mudança.

“Apesar de 126 países (de 184 membros do FMI) terem se posicionado contra isso, os europeus continuam seguindo com o processo de indicação como se não estivessem ouvindo nada”, diz o secretário-executivo do G24 (grupo de 24 países, incluindo o Brasil, pressionando por mudanças), Ariel Buira.

“Os europeus querem o prestígio que vem junto com o cargo, mas para os países em desenvolvimento a questão é bem mais importante do que prestígio. O FMI trabalha com aspectos que afetam profundamente os países em desenvolvimento, e economistas destes lugares podem ter mais capacidade para entender estes problemas do que um europeu ou americano”, diz Buira, que foi um dos diretores-executivos do FMI entre 1978 e 1982.

Indo além do processo de escolha do diretor, Buira diz que todo o sistema de cotas - que define o poder de cada membro dentro do FMI - é "um anacronismo político dos anos 40 que já não nos serve mais"

"Desde a criação do FMI houve países membros do fundo que cresceram muito mais do que a média mundial. Por conta disso há distorções terríveis, como a Bélgica ter 52% a mais de cotas do que o Brasil. Ou o fato de a Dinamarca ter mais poder do que a Coréia do Sul", argumenta.

Estados Unidos

A ex-representante dos Estados Unidos na diretoria-executiva do FMI, Karin Lissakers, também considera “anacrônico” o sistema de nomeação do FMI.

Lissakers diz que uma mudança no processo ainda este ano é possível se os Estados Unidos decidirem apoiar as demandas dos países em desenvolvimento.

“O governo americano ainda não disse nem que defende a velha convenção, nem se apóia os pedidos dos países em desenvolvimento. Mas os americanos sabem que se forem contra a Europa agora também não vão poder contar com os europeus na hora de escolher o presidente do Banco Mundial”, explica.

Mas apesar de duvidar desta possibilidade, Lissaker acha que o governo americano deveria tomar a atitude de propor uma mudança.

“Como os maiores acionistas nas duas instituições (FMI e Banco Mundial) e como a maior democracia do mundo, os Estados Unidos deveriam assumir a liderança para mudar os procedimentos”, disse a economista.

Candidatos

Qualquer diretor-executivo no FMI pode, formalmente, propor nomes de candidatos para a sucessão. Os primeiros três nomes foram apresentados no início da semana pelo diretor-executivo egípcio, Shakour Shaalan, em nome do G11, um grupo de países em desenvolvimento do qual o Brasil não participa.

Shaalan apresentou os nomes do americano nascido na Zâmbia Stanley Fischer (ex-diretor adjunto do FMI e atualmente executivo do Citigroup), do britânico David Crooket (ex-funcionário do FMI e ex-diretor do Banco Internacional de Compensações) e do egípcio-francês Mohamed El-Erian (que trabalhou no fundo antes de partir para uma bem sucedida carreira em fundos de investimento).

Analistas, no entanto, acreditam que há mais chances de o nome do indicado sair de um reunião que ministros da Economia europeus vão realizar neste fim de semana.

Há indicações de que neste encontro as discussões devem girar em torno dos nomes do presidente do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, o francês Jean Lamierre; do ministro das Finanças da Espanha que está deixando o cargo com a troca do governo, Rodrigo Rato; e de algum italiano.

Nas reuniões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) realizadas em Lima esta semana, um grupo de 14 países latino-americanos, incluindo o Brasil, manifestou simpatia por Rodrigo Rato.

"Acho mais provável que o novo diretor seja um francês, mas também é possível que um espanhol ou um italiano acabem escolhidos. Acho pouco provável que agora um alemão seja escolhido", avalia o consultor Alex Kazan.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade