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Argentina faz calendário para negociar dívida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dia depois de livrar-se de raspão de dar um calote no Fundo Monetário Internacional, a Argentina anunciou um calendário, entre 22 de março e 16 de abril, para sentar à mesa com 21 grupos de credores sua da dívida de US$ 88 bilhões, em moratória desde dezembro de 2001. O ministro da Economia, Roberto Lavagna, e o chefe de gabinete da Casa Rosada, Alberto Fernández, braço-direito do presidente Néstor Kirchner, anunciaram que vão propor e explicar a esses credores que esse pagamento poderá ser feito através de um título público ligado ao crescimento. Esse é um dos três papéis já oferecidos pelo governo quando, no ano passado, ele informou que só pagaria 25% do valor da dívida. O problema é que até agora esse cálculo, vinculado ao desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), ainda não foi detalhado, gerando desconfiança entre os credores. É o que o governo pretende esclarecer a partir deste calendário de reuniões, a serem realizadas em Buenos Aires. A idéia do governo, segundo Lavagna, é concluir essas negociações entre o fim de maio e início de junho. A pressa para tentar se chegar a um acordo com esses credores foi uma das exigências do FMI. O FMI cedeu O fundo cedeu em vários pontos pedidos pela Argentina, como a ausência de determinação de um percentual específico de credores que aceite a oferta do país para o pagamento desta dívida. Fernández afirmou, porém, que o governo não pretende mudar a proposta conhecida até agora. "Nós não vamos mudar, de jeito nenhum, a oferta (de só pagar 25%) que já foi realizada. Não podemos prejudicar as futuras geraçoes e assinar o que nao somos capazes de cumprir", disse. Quando questionado por que então os credores aceitariam negociar com o governo, ele informou sobre a decisão de detalhar a matemática do pagamento deste título vinculado ao desempenho da economia argentina. Uma informação que já havia sido divulgada pela imprensa local, mas que já tinha gerado críticas dos credores. Eles temem perder dinheiro, caso ocorra estancamento no crescimento. As declarações de Lavagna e Fernández foram feitas pouco depois que o ministro e o representante do FMI na Argentina, John Dodsworth, assinaram um memorando de entendimento. O documento de oito capítulos, que reitera medidas já expressas no acordo assinado em setembro passado e com três anos de vigor, deverá ser ratificado pelo diretório do fundo, em reunião no dia 22 deste mês. No dia seguinte, dia 23, o fundo devolverá aos cofres da Argentina parte ou toda a parcela de US$ 3,1 bilhões paga na terça ao organismo. O ministro argentino esclareceu ainda a estratégia do Brasil e da Argentina nas negociações com os organismos multilaterais de crédito. Como já havia sido comentado pelo governo brasileiro, Lavagna lembrou que uma das sugestoes é que empréstimos do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para infra-estrutura não sejam computados como gastos. Assim, a exigência de superávit poderá ser menor e, conseqüentemente, o ajuste determinado pelo fundo também. Segundo o ministro, os governos do Brasil e da Argentina também analisam como propor ao fundo que essa medida seja estendida aos itens sociais. |
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