BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 16 de março, 2004 - 15h54 GMT (12h54 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Estudo diz que FMI é 'muito otimista' sobre a América Latina

Logotipo do FMI
Fundo errou ao estimar que América Latina cresceria mais
Um levantamento feito pelo Centro de Pesquisas de Política Econômica (CEPR, na sigla em inglês), de Washington, sugere que o Fundo Monetário Internacional (FMI) pode estar sendo otimista demais nas previsões econômicas que faz anualmente para a América Latina.

Todos os anos no mês de abril o FMI publica uma edição do relatório World Economic Outlook - revisto também todos os anos em outubro - com previsões para a economia mundial no ano seguinte.

No caso da América Latina, os dados definitivos de crescimento entre 1986 e 2002 mostram que o fundo foi otimista demais - uma diferença média de 1,6 ponto percentual - em 13 de 17 projeções feitas nos meses de abril dos anos anteriores.

Em abril do ano 2001, por exemplo, o fundo previu que a economia latino-americana iria crescer 4,4% em 2002, mas no fim das contas o PIB da região encolheu 0,1% em 2002, o único caso na série de projeção de crescimento desmentida por uma queda.

Probabilidade

"Não se trata de uma ciência exata. É normal que projeções econômicas errem.", diz o diretor do CEPR, Dean Baker.

"Mas o que é muito estranho é que o erro seja sempre para o mesmo lado."

Baker argumenta que pela lei das probabilidades, cerca de metade das projeções deveria pender para cima e outra metade para baixo.

"Mas em 13 de 17 casos estudados o FMI errou para cima com um desvio médio de 1,6 ponto percentual."

Dados

O porta-voz do FMI para a América Latina, Francisco Baker, argumenta que o fundo trabalha com dados fornecidos pelos próprios países da região.

"O fundo não tem seus próprios pesquisadores em campo. Temos de confiar na coleta de dados dos países membros do fundo para fazermos nossas análises", explica.

"O FMI pressiona os países por estatísticas confiáveis, mas a qualidade desses dados não é homogênea."

Para o pesquisador do Insituto de Economia Internacional de Washington John Williamson a tendência ao otimismo pode ter relação com o fato de o fundo estar lidando na América Latina com muitos países que adotaram políticas econômicas recomendadas pela organização.

"Pode haver uma tendência a superestimar os ganhos que as receitas propostas pelo fundo terão", diz o economista que já foi conselheiro do FMI e diretor do Banco Mundial.

"Nos últimos 15 anos há um receio em se prever problemas na América Latina e o fundo pode estar com esta tendência também."

Riscos

Dean Baker, do CEPR, diz que se usadas com base para políticas econômicas, as projeções superestimadas do fundo podem ter efeitos negativos.

"O fundo usa essas estimativas para fazer suas recomendações de política econômica aos países nos quais colocou recursos", diz Dean Baker.

"Uma estimativa exagerada de crescimento pode, por exemplo, levar um país a manter juros mais altos do que o necessário para conter a inflação que supostamente decorreria deste crescimento."

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade