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Última actualização: 01 Dezembro, 2005 - Publicado em 19:04 GMT
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ONUSIDA pede tomada de medidas drásticas
Bebé com SIDA

A agência das Nações Unidas que lidera a luta global contra a doença, ONUSIDA, diz que o mundo precisa de reconhecer que esta doença representa uma ameaça excepcional que precisa de uma resposta igualmente excepcional.

O director-executivo da ONUSIDA, Peter Piot, disse que a alternativa era aceitar o fracasso contínuo dos esforços internacionais para a redução do número de mortes causadas pela pandemia de SIDA.

Cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo vivem hoje infectadas com o HIV - o vírus que causa a SIDA.

Mais de vinte milhões morreram desde que a doença foi reconhecida, há cerca de duas décadas e meia. Só no ano passado registaram-se 3 milhões de mortes.

A África sub-Sahariana continua a ser a região mais afectada do mundo. E, per capita, os PALOP estão entre os países com os maiores índices de infecção.

Moçambique

Estima-se que 16,2% da população adulta de Moçambique viva com o HIV/SIDA, ou seja, em cada 6 moçambicanos, um está infectado. Desses 6, quatro são mulheres.

Todos os anos, 30 mil crianças nascem com HIV/SIDA. O fenómeno das crianças orfãs devido a estas doenças é hoje também outra nova, dura e trágica realidade com que se confrontam os moçambicanos.

Fala-se de 470 mil crianças que, até agora, terão perdido um ou ambos os pais - homens e mulheres moçambicanos que se contam entre os perto de 100 mil pessoas que, em média, morrem todos os anos por causas relacionadas com a SIDA.

Estes os argumentos estatísticos por detrás da decisão do governo de declarar o HIV/SIDA uma "emergência nacional".

Angola

Angola tem a particularidade de ser o país da região Austral de África com os níveis mais baixos de seroprevalência, a rondar os 6% da sua população.

Mas os números apontam claramente para um aumento dos níveis de contaminação.

De acordo com as estimativas mais recentes do Programa da ONU para o Desenvolvimento, PNUD, a prevalência do HIV em Angola poderá aumentar de 5,7% em 2001 para 9,96% em 2005 - admitindo-se que possa atingir os 18,8% em 2010.

Caso estas projecções venham a confirmar-se, o número de seropositivos em Angola poderá passar dos 344 mil em 2001 para 749 mil em 2005 - atingindo a cifra de 1,6 milhões em 2010.

Angola tem uma população calculada em cerca de 14 milhões de habitantes.

São Tomé e Príncipe

Entre os santomenses, a tendência é para o aumento do número de casos de HIV/SIDA.

Até ao primeiro trimestre de 2005, o arquipélago registara 31 novos casos de SIDA, perfazendo um total que ronda os 210 seropositivos - uma evolução considerada muito rápida.

Regista-se um aumento acentuado das infecções entre as mulheres grávidas; em 2001 a prevalência era de 0,1% e hoje há referências a um índice de 1,5%. Até Outubro de 2005 registaram-se 92 óbitos.

Os últimos estudos dizem que a maioria dos casos de contracção do HIV em São Tomé e Príncipe deriva de relações heretosexuais, com os números a rondarem os 87%. A transmissão por via sanguínea regista uma diminuição de casos.

A situação da SIDA começa, compreensivelmente, a preocupar as autoridades santomenses, porque num universo de 150 mil habitantes mais de 7 mil pessoas vivem hoje com o HIV/SIDA.

Cabo Verde

Cabo Verde registou em 2005 um ligeiro aumento do número de seropositivos, mas tem como novidade a introdução de anti-retrovirais para o tratamento dos doentes.

Para isso, as autoridades caboverdianas contam com os apoios do Brasil e da Organização Mundial de Saúde, OMS.

Graças a esta parceria, 100 adultos e 12 crianças - para além de 7 mulheres grávidas - estão a receber os referidos medicamentos.

Em termos financeiros, o Estado gasta pouco mais de mil Euros por ano com cada portador de SIDA.

Entretanto, e embora a situação não seja tão alarmante como noutros países africanos, o número de infectados não pára de crescer em Cabo Verde.

Dados mais recentes estimam em 260 o número de novos infectados em 2005.

Alertadas para o fenómeno da SIDA, as autoridades têm apostado sobretudo na prevenção desse mal, especialmente nos estabelecimentos de ensino e na comunicação social.

De tal modo que a SIDA em Cabo Verde deixou de ser um tabú e não será por falta de informação que se contrai a doença.

Guiné-Bissau

Dados oficiais indicam que a Guiné-Bissau conta com um total de 33 mil e 900 seropositivos. A região de Bafatá é a que apresenta o maior índice de infectados.

A prevalência da infecção por HIV1 é de 5%. De cada 100 mulheres grávidas que chegam aos centros de saúde para consulta pré-natal, 6 estão infectadas.

Mas um dos maiores problemas para as autoridades guineenses é a existência de uma considerável faixa populacional que continua a não acreditar na existência do HIV/SIDA.

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