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Dificuldades no combate global ao HIV/SIDA | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Organização Mundial de Saúde diz que não vai ser capaz de cumprir com o seu objectivo de tratar, com anti-retrovirais, 3 milhões de pessoas até ao fim deste ano. A OMS lançou a sua ambiciosa campanha - conhecida como 3X5 - em finais de 2003. Falando em Genebra, altos funcionários da OMS disseram que, apesar de se sentirem encorajados pelos progressos feitos por alguns países no tratamento de seropositivos, continuava a haver muito mais por fazer - em particular na área de cuidados de saúde e nos financiamentos a longo prazo. Necessidades urgentes A Organização Mundial de Saúde calcula que 6,5 milhões de seropositivos precisam de anti-retrovirais. Essas pessoas morrerão dentro de dois anos se não receberem os medicamentos. Ainda assim, o número de seropositivos que estão hoje a ser tratados não passa dos 970 mil. Este número representa mais do dobro da cifra que existia quando a campanha 3X5 foi lançada em Dezembro de 2003. Contudo, está muito longe do objectivo de 3 milhões. Promessas não cumpridas O que foi que correu mal? No papel, a luta contra a SIDA é bem financiada. Mas, na prática, muito foi prometido e nem tudo foi cumprido. O Doutor Jim Kim, director do Programa da OMS de Luta contra o HIV/SIDA, espera que a promessa da Grã-Bretanha, de pressionar no sentido de se garantir o acesso universal ao tratamento com anti-retrovirais, volte a inspirar a campanha 3X5. "O engajamento do governo do Partido Trabalhista da Grã-Bretanha no acesso universal ao tratamento até 2010 é uma importante mudança paradigmática. Se se conseguir um acordo nesse sentido na cimeira do G8, penso que teremos uma base completamente nova para os tratamentos e para o desenvolvimento de sistemas de saúde". Vontade política Muitos países pobres não têm os sistemas de saúde necessários para coordenar grandes campanhas, mas outros carecem de vontade política. O Doutor Jim Kim diz que o diminuto Reino do Lesotho mostrou há tempos o que precisa de ser feito. "Não é suficiente uma vontade política padronizada, onde chefes de Estado se mostrem a favor de incremento do acesso aos tratamentos. No Lesotho, o Rei, a Rainha, o Primeiro-Ministro, o Ministro da Saúde, foram todos testados em público. Todos eles apoiaram abertamente um maior acesso aos anti-retrovirais. É isso que precisamos ver". Inspiração A OMS diz-se inspirada pelos progressos feitos por países como o Lesotho, Moçambique e a Zâmbia. Mas está preocupada com a situação noutras nações maiores, como a Índia, a África do Sul e a Nigéria - onde o acesso ao tratamento continua débil. E há um outro problema no horizonte; enquanto os preços dos anti-retrovirais básicos caíram substancialmente, os anti-retrovirais mais potentes - de que eventualmente necessitarão todos os seropositivos - continuam demasiado caros. |
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