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Última actualização: 11 Março, 2005 - Publicado em 18:56 GMT
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Comissão para África publica relatório
Crianças africanas
O combate à pobreza é a trave-mestra do relatório da Comissão
A Comissão para África, constituida pelo Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, pediu hoje o estabelecimento de novas iniciativas para ajudar o continente mais pobre do mundo.

No seu relatório, publicado hoje simultaneamente em Londres e em Addis Abeba, a Comissão diz que a pobreza e a estagnação africanas são as maiores tragédias dos nossos tempos e exige respostas contundentes.

O relatório apela a que África acelere o seu processo de reformas mas também diz que o mundo desenvolvido deve incrementar e melhorar a sua ajuda ao continente.

É também pedido aos países ricos que parem de tomar medidas que travem os progressos de África.

Nova parceria

O trabalho da Comissão para África representa uma nova parceria entre África e o Ocidente.

Mas trata-se de uma parceria em que os africanos são chamados a traçar o seu próprio destino.

 África pode mudar para melhor. A questão agora é saber se temos vontade e coragem para operar essas mudanças
Primeiro-Ministro Tony Blair

Contudo - e segundo Peter Biles, o correspondente da BBC para Questões Internacionais - muitas das recomendações feitas nas 400 páginas do relatório são especificamente dirigidas aos líderes das nações mais ricas do mundo.

Há apelos para que se duplique a ajuda destinada a África nos próximos cinco anos e para que se cancele a totalidade da dívida externa dos países mais pobres.

Barreiras comerciais

É também pedido que se desmantelem as barreiras comerciais e se acabem com os subsídios dados aos agricultores ocidentais e que dificultam os rendimentos dos agricultores africanos.

Falando hoje aqui em Londres, o Primeiro-Ministro britânico disse que a resolução dos problemas africanos era um desafio fundamental para a presente geração.

A única dúvida, segundo Tony Blair, era se o mundo estava preparado para agir.

"África pode mudar para melhor e o relatório mostra como fazer isso. A questão agora é saber se temos - em África e nas nações mais ricas do mundo - vontade e coragem para operar essas mudanças".

"Num mundo de crescente prosperidade, é obsceno que tenhamos de pensar todos os dias que quatro milhões de crianças africanas morrerão este ano antes do seu quinto aniversário".

Boa governação

O relatório da Comissão para África também reconhece que não haverá desenvolvimento sustentado sem boa governação, paz e segurança - áreas em que os africanos devem assumir a dianteira.

Mãe e filho africanos
Tony Blair acredita ser possível melhorar a situação africana

O ghanense Kingsley Amoako é o Secretário-Executivo da Comissão Económica para África e um dos 17 Comissários do grupo constituido por Tony Blair. Ele diz que o relatório é equilibrado - mas sem deixar de ser crítico.

"Penso que se trata de um documento de grande significado. É diferente em muitos aspectos. Fala das responsabilidades de África de uma maneira muito diferente de relatórios anteriores. E coloca uma ênfase muito maior no que o mundo desenvolvido pode fazer para apoiar África".

Agenda africana

Tony Blair começou a falar seriamente sobre África há mais de quatro anos.

Desde então, fez uma série de discursos e pronunciamentos - descrevendo em diferentes ocasiões o continente africano como 'uma ferida na consciência do mundo'.

Blair fez mais do que qualquer outro líder ocidental para colocar o continente na agenda internacional.

A reunião das oito nações mais ricas do mundo, que se realiza em Julho próximo na Escócia, terá África como tema central.

Isto está a ser visto como um passo corajoso - se se tiver em conta a reduzida percentagem do input africano na economia mundial.

Cepticismo

A generalidade dos observadores saudou os esforços de Tony Blair. Contudo, persiste algum cepticismo em relação à pureza das suas razões quando, em Fevereiro de 2004, constituiu a Comissão para África.

O Primeiro-Ministro britânico investiu muita energia, recursos e vontade política para sustentar o seu apadrinhamento de África.

Mas agora o desafio para ele será convencer outros líderes ocidentais a partilhar a sua visão e a adoptar as recomendações da Comissão para África.

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