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Dinastias políticas - o futuro de arranjos do passado
Faure Gnassingbe
Faure Gnassingbe, o novo líder do Togo depois da morte do pai
Há protestos violentos nas ruas do Togo contra a instalação, pelos militares, de Faure Gnassingbe no cargo de Presidente - em sucessão do seu pai, que faleceu no dia 5 de Fevereiro.

A oposição togolesa vê a sua indicação como o estabelecimento de uma dinastia política indesejada.

Mas há muitos exemplos de dinastias deste tipo noutras partes do mundo - incluindo nos Estados Unidos. Será que se trata necessariamente de algo negativo?

O Presidente Gnassingbe Eyadema morreu depois de 38 anos no poder.

Alteração constitucional

A Constituição togolesa foi rapidamente alterada e, de seguida, as Forças Armadas anunciaram que o seu filho, Faure, seria o novo chefe de Estado.

Líderes africanos e a ONU condenaram imediatamente a acção, considerando-a um golpe militar, e exigiram o respeito pela Constituição.

O líder da oposição togolesa no exílio, Gilchrist Olympio, também reagiu ao 'golpe'.

"Acho que se trata de uma loucura. É como uma cena de Alice no País das Maravilhas, onde tudo está de pernas para o ar".

Dinastias políticas

Mas, será que a ideia de dinastias políticas, em si, é uma loucura?

Houve muitas dinastias políticas no mundo. Uma das mais conhecidas foi a dos Nehru, na Índia.

Indira Gandhi e Ali Bhutto
Indira Gandhi e Zulfiqar Ali Bhutto, nomes de referência em duas dinastias vizinhas

Jawaharlal Nehru foi o primeiro líder da Índia independente. Quando morreu, foi substituido pela filha, Indira Gandhi.

Quando esta foi assassinada, substituiu-a o filho, Rajiv Gandhi, que também acabou por ser assassinado.

A mulher de Rajiv, Sónia, nascida em Itália, recusou, em 2004, a chance de ser nomeada Primeira-Ministra da Índia.

Dos Bushes aos Bhuttos

Mas há muitas outras dinastias políticas; dois George Bushes nos Estados Unidos, Kim Il Sung e Kim Jong Il na Coreia do Norte, Laurent e Joseph Kabila no Congo, Hafez e Bashar al Assad na Síria, Zulfikar Ali Bhutto e Benazir Bhutto no Paquistão.

Houve inclusive sucessões de marido para mulher - como os Marcos nas Filipinas e os Bandaranaikes no Sri Lanka.

Pioneiro golpista

Os resultados dessas dinastias foram mistos. Mas o Doutor Chris Fomunyoh, um camaronês que trabalha no Instituto Democrático dos Estados Unidos, em Washington, acha muito negativa a perspectiva de uma dinastia togolesa.

"O primeiro golpe de Estado em África teve lugar no Togo em 1963 e, nas últimas quatro décadas, vimos os problemas causados por constantes incursões militares no processo político".

Segundo ele, se se permitir que a situação no Togo permaneça como está, então veremos a repetição de situações similares noutros países africanos.

O Doutor Fomunyoh diz que isso constituirá "a negação dos processos de democratização que se tentou arduamente implementar na última década e meia".

Dinastias duradouras

Mas algumas dinastias políticas, como as dos Nehrus na Índia, mantiveram-se durante gerações. Porquê?

O Doutor Kamal Mitra Chenoy, da Universidade Nehru, em Delhi, diz que isso é apenas parcialmente verdade.

"Indira Gandhi perdeu eleições. O seu filho Rajiv também. E Sónia Gandhi nunca chegou ao poder porque sabia que a sua origem estrangeira debilitaria o governo. Por isso, acho que as conexões de família são importantes mas, por si só, são insuficientes".

O Doutor Chris Fomunyoh concorda.

Bushes pai e filho
George W. Bush chegou à Casa Branca oito anos depois da saída do pai

"O que se viu nos Estados Unidos com os Bushes, os Kennedys e os Roosevelts foi que, apesar de terem os mesmos nomes - e o reconhecimento dos nomes ajudou - havia um processo que lhes permitiu concorrer ao poder político para ganhar alguma legitimidade da população".

O Doutor Chris Fomunyoh acha que esse não é o caso de Faure Gnassingbe no Togo.

Pressões externas

Ele acredita que as pressões dos vizinhos do Togo e dos seus parceiros internacionais e os contínuos protestos de rua vão condenar o golpe constitucional ao fracasso.

O Doutor Chenoy acha que a questão deve ser colocada de maneira diferente.

"As dinastias estão em declínio em termos do seu espaço na vida política em geral. E acho que a pergunta mais pertinente - em vez de se querer saber se o novo líder do Togo vai conseguir manter-se no poder - é saber se a democracia consegue sobreviver com este tipo de sucessões políticas. E a resposta é, inequivocamente, não".

No caso africano, em particular - e os togoleses recorreram a essa justificação para explicar o sucedido no país - é que é mais importante assegurar a estabilidade do que promover a democracia.

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