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OMS debate erradicação da pólio em África | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Estiveram reunidos em Genebra membros da Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio e ministros da Saúde de 8 países africanos. O encontro visou debater estratégias para a contenção do vírus da poliomielite. Várias nações africanas estão a promover campanhas de imunização infantil devido a uma nova vaga de infecções. Há 16 anos que a Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio coordena os esforços de vacinação em todo o mundo. Como resultado, a incidência da pólio foi reduzida em 99 por cento. Mas, em 2004, onze países africanos que se haviam livrado da doença voltaram a conhecer novas infecções. Técnicos de saúde dizem que o novo surto se deve, em grande medida, à suspensão das campanhas de imunização, durante cerca de um ano, pelas autoridades do Norte da Nigéria. Novos infectados A Organização Mundial de Saúde diz que, em 2004, a pólio estendeu-se ao Burkina Faso, Tchade, Costa do Marfim, Sudão e à República Centro-Africana, cinco países que haviam erradicado a doença. E há o perigo de contaminação de outros países. O Doutor Alex Gassassira, responsável da OMS para os programas de imunização contra a pólio em África, diz que rumores e medos em relação à vacina da pólio dificultaram os seus esforços. "Tivemos um periodo de mais de um ano em que as crianças não eram levadas para os postos de vacinação devido a esses receios. O incremento das movimentações populacionais em África fez com que essas crianças não imunizadas se expusessem à doença e a espalhassem por vários países". Drama africano Concentraram-se em África mais de oitenta por cento dos cerca de mil e duzentos casos de pólio registados no ano passado em todo o mundo. E estes são dados provisórios. A principal razão para o incremento das infecções - para além do boicote do Norte da Nigéria - foi a impossibilidade de vacinar crianças em áreas em conflito e de difícil acesso. Na Costa do Marfim, por exemplo - sem contar com a região Norte, controlada pelos rebeldes - registaram-se 17 casos de pólio no ano passado comparado com apenas um caso em 2003. Boicote nigeriano Muitos dos casos marfinenses foram ligados, pelas autoridades, ao Estado de Kano, no Norte da Nigéria, onde clérigos islâmicos baniram a vacina da pólio durante quase um ano. O banimento só foi levantado em Julho de 2004. O Doutor Bruce Aylward, o Coordenador da Iniciativa Global da OMS para a Erradicação da Pólio, diz que, desde então, assistiu-se a uma viragem total e sem precedentes em África. "A imunização foi reactada em Kano; 23 países juntaram-se para levar a cabo a maior campanha sincronizada de vacinação de todos os tempos, com 18 milhões de crianças imunizadas por um milhão de voluntários em Outubro e em Novembro de 2004". Darfur Contudo, a OMS diz que a transmissão da pólio não parou nem na Nigéria nem no vizinho Níger. O Sudão é outro país que está a causar alarme, particularmente a sua região de Darfur. O governo sudanês disse que interromperá todas as suas operações militares durante três dias por forma a permitir a realização de uma campanha de imunização. |
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