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Atualizado às: 25 de março, 2008 - 06h38 GMT (03h38 Brasília)
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Autoridades do Tibete prendem 13 manifestantes

Forças chinesas
Governo do Tibete no exílio acusa China de matar inocentes
Autoridades locais do Tibete prenderam 13 pessoas envolvidas nos protestos que ocorreram em Lhasa em 10 de março, informou o jornal Tibet Daily nesta terça-feira.

O anúncio das prisões foi feito após a China admitir que pelo menos um policial morreu e "vários outros" ficaram feridos nesta segunda-feira em novos confrontos entre manifestantes pró-Tibete e forças de segurança chinesas na província de Sichuan, no oeste da China.

Segundo informações da agência de notícias estatal Xinhua, a policia foi “obrigada a disparar tiros de aviso para dispersar os manifestantes fora-da-lei”.

Manifestantes munidos de armas e facas teriam atacado policiais na cidade de Garze, ferindo mortalmente o oficial Wang Guochuan durante o confronto.

Os 13 tibetanos detidos foram acusados de ter “gritado slogans reacionários” e “segurado faixas” para “reunir uma multidão e criar confusão”, no início dos protestos, há duas semanas.

Segundo o Tibet Daily, as faixas não continham dizeres, mas eram ilustradas com imagens leões de montanha, o que representaria um chamado velado pela independência do Tibete.

Os protestos pacíficos de 10 de março desencadearam uma série de manifestações que resultaram em choques com a polícia chinesa na capital do Tibete, Lhasa, e em outros confrontos e protestos em diversas províncias da China.

O jornal não especificou se os manifestantes presos eram monges budistas.

Mortos

O incidente de segunda-feira elevou para 140 o número de mortos desde o início dos protestos pela independência da região, de acordo com a contagem feita pelo governo do Tibete no exílio.

Estimativas do governo chinês anteriores aos choques em Sichuan indicavam um total de 19 mortes.

Nenhuma das contagens pode ser verificada independentemente, pois jornalistas estrangeiros foram banidos do Tibete e regiões vizinhas.

As autoridades de Sichuan tinham anunciado antes dos confrontos desta segunda que 381 pessoas envolvidas nos protestos já haviam se entregado à polícia somente no condado de Aba.

Fora da China o assunto do Tibete também é destaque neste começo de semana.

Na Grécia, um grupo de ativistas pró-Tibete da organização Repórteres sem Fronteiras interrompeu a cerimônia de acendimento da tocha olímpica para protestar contra a situação dos direitos humanos na China.

Em Washington, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, voltou a pedir que o governo chinês dialogue com o Dalai Lama.

Na França, o presidente Nicolas Sarkozy disse que enviou uma carta ao presidente chinês, Hu Jintao, pedindo a retomada do diálogo, “contenção” e o “fim da violência”.

E em Brasília, o Itamaraty afirmou "deplorar" os acontecimentos que acarretaram a perda de vidas no Tibete, mas ressaltou o "tradicional" apoio do governo brasileiro "à integridade territorial da República Popular da China".

Visões diferentes

Chineses e tibetanos têm visões diferentes sobre os protestos, que foram iniciados por monges budistas no aniversário de uma insurgência tibetana contra o domínio chinês.

O governo chinês acusa o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, de coordenar os protestos para tentar sabotar os Jogos Olímpicos na esperança de promover a independência do Tibete.

Entretanto, o governo tibetano no exílio, liderado pelo Dalai Lama em Dharamsala, no norte da Índia, afirma que o movimento foi organizado pelos próprios tibetanos e acusa as forças de segurança chinesas de matar civis inocentes.

A imprensa oficial chinesa publicou um editorial nesta segunda-feira acusando a mídia ocidental de distorcer os fatos na cobertura dos eventos no Tibete.

E a imprensa estrangeira tem se mostrado cada vez mais frustrada com a censura chinesa, que não permite aos jornalistas internacionais ter acesso direto às regiões de conflito.

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