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Atualizado às: 14 de março, 2008 - 21h14 GMT (18h14 Brasília)
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Análise: Tibete representa dilema para Pequim

Presidente chinês Hu Jintao
Hu Jintao liderou repressão aos protestos tibetanos em 1989
A onda de violentos protestos no Tibete não poderia ter acontecido em um momento pior para o governo chinês.

A poucos meses das Olimpíadas de Pequim, os líderes chineses não querem que os protestos dos monges se transformem na imagem que define o país.

Muitos integrantes do governo da Região Autônoma do Tibete estão atualmente em Pequim para o Congresso Nacional do Povo, que acontece anualmente.

Há apenas alguns dias, o presidente chinês Hu Jintao teve um encontro com a delegação tibetana e pediu que eles continuem a melhorar a qualidade de vida e trabalhem para alcançar paz e estabilidade na região.

Mas os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar seu ponto de vista enquanto todas as atenções estão voltadas para a China no ano das Olimpíadas.

Eles querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região.

Outro Mianmar?

Tibetanos em outros países apoiaram as ações dos manifestantes organizando protestos e passeatas.

Nesta sexta-feira, enquanto forças de segurança chinesas tentavam controlar incêndios em Lhasa, um grupo de tibetanos protestava em frente à Embaixada chinesa em Londres.

Tibetanos exilados na Índia começaram uma passeata de volta ao Tibete na segunda-feira, mas foram impedidos pela polícia indiana.

O governo chinês enfrenta um dilema.

Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmar em 2007.

Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.

O Tibete, juntamente com outros territórios que têm movimentos separatistas, como Xinjiang e Taiwan, representa uma grande dor de cabeça para os líderes chineses.

A estratégia do governo chinês até o momento foi a de bater e assoprar.

O governo central tem investido rios de dinheiro na região numa tentativa de melhorar a qualidade de vida dos tibetanos.

Uma nova estrada de ferro até a capital, Lhasa, foi usada como bandeira pelas autoridades como prova de que eles querem trabalhar pelo bem da população do Tibete.

História de protestos

Mas os tibetanos reclamam que o investimento só beneficiou aqueles da etnia chinesa Han que trabalham na região e que o efeito tem sido diluir - ou mesmo destruir - a cultura tibetana.

Houve tentativas do governo chinês e do Dalai Lama de iniciar negociações sobre uma maior autonomia para a região, mas pouco progresso foi feito até agora.

Protestos e rebeliões têm sido uma característica da vida tibetana desde que o Exército chinês chegou à região, em 1950.

A onda de protestos desta semana coincide com o 49º aniversário da mal-sucedida revolta de 1959, quando o Dalai Lama deixou a região para viver no exílio.

A última vez que protestos sérios aconteceram no Tibete foi no início de 1989, pouco antes do massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Naquela época, o presidente Hu Jintao era secretário do Partido Comunista no Tibete, e a maneira como ele lidou com os protestos fez com que recebesse a aprovação de seus chefes em Pequim.

Quase 20 anos depois, ele está ansioso para colocar um fim igualmente rápido às manifestações.

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