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Musharraf descarta renuncia à presidência do Paquistão | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf declarou que não pretende renunciar ao cargo após a derrota nas eleições parlamentares de segunda-feira. "Gostaria de permanecer (e trabalhar junto) com qualquer partido e coalizão porque isso é do interesse do Paquistão", disse ele ao jornal americano Wall Street Journal. "Existiria conflito se o primeiro-ministro e o presidente estivessem tentando derrubar um ao outro. Me cabe apenas ter esperanças de evitar tais confrontos". Para observadores políticos, o pleito foi visto como um termômetro da popularidade de Musharraf. Impeachment Com quase todos os votos já contados, o PPP, da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto, conquistou a maioria dos lugares no Parlamento, seguido pelo outro grande partido oposicionista do pais, o PML-N, do também ex-premiê Nawaz Sharif. O partido do governo, o PML-Q teve bem menos votos do que o esperado, ficando em um distante terceiro lugar. O PPP e o PML-N negociam no momento uma coligação para formar o novo governo. Analistas acreditam que essa negociação deve durar algumas semanas. Juntos, os dois partidos ainda não teriam os dois terços dos votos no Parlamento necessários para mover um processo de impeachment contra Musharraf ou reverter medidas tomadas por ele que foram consideradas inconstitucionais, como dar ao presidente o poder de dissolver o Parlamento e demitir o primeiro-ministro. No entanto, esses dois terços poderiam ser conseguidos através de articulações com partidos menores. Sharif, que durante a campanha levantou a bandeira da constitucionalidade e afirmou negar um possível acordo com Musharraf, disse na terça-feira que o presidente deve deixar o cargo. "Ele (Pervez Musharraf) havia dito que quando o povo quisesse, ele deixaria o poder. As pessoas disseram o que querem", disse Sharif, que afirmou pretender se encontrar com o líder do PPP, Asif Zardari, na quinta-feira. Futuro O editorial de um dos principais jornais do país, o Dawn, afirma nesta quarta-feira que "desafiando ameaças de morte e destruição, os paquistaneses enviaram uma mensagem clara para o mundo: que rejeitam o extremismo e apóiam a democracia". Para o diário, "a nação agora espera que ele (Musharraf) seja um bom perdedor. No entanto, devemos lhe dar crédito por uma votação que foi amplamente justa, na qual seus inimigos puderam fazer um retorno triunfante através das urnas". "Se pode dizer com segurança que os paquistaneses desejam mais autonomia nas províncias com um governo central que lhes permita viver suas vidas da maneira que quiserem." "Autonomia para as unidades federativas pode ser um bom antídoto para vários dos males que afligem o país." O editorial de outro grande jornal nacional, o The News, afirma que Musharraf está agora sem sustentação política, já que "o PML-Q nunca foi um partido com propostas próprias. Seus integrantes devem desaparecer nas fileiras de outros partidos como o PML-N". "O Exército já se distanciou dele e a forma como o general Ashfaq Pervez Kayani (que substituiu Musharraf no comando das Forças Armadas do país no final do ano passado) se comportou durante o processo e contribuiu imensamente para que as eleições fossem livres e justas." "Agora, um isolado presidente Pervez Musharraf deve conduzir o processo até o seu fim lógico. Se ele fizer isso bem, pode ser capaz de ganhar algum respeito e se retirar com dignidade", diz o jornal. |
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