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Atualizado às: 17 de fevereiro, 2008 - 12h35 GMT (10h35 Brasília)
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Engajamento na campanha não significa presença nas urnas

policial patrulha rua às vesperas das eleições
Policial patrulha uma rua em Karachi às vesperas das eleições
Apesar de as eleições parlamentares no Paquistão terem despertado o interesse de muitos paquistaneses, poucos são os eleitores que manifestam a vontade de comparecer às urnas.

Estimativas dos principais partidos políticos paquistaneses indicam que apenas 30% do eleitorado cadastrado deve votar no pleito de segunda-feira.

“Isso que vai acontecer na segunda-feira não pode ser chamado de eleição. Será uma seleção. Os vencedores sempre são escolhidos”, afirma Imram Akhbar, tecelão proprietário de uma loja na cidade de Lahore.

“No Paquistão, o que há sempre são elites brigando entre si e se revezando no poder.”

“Muitos pensam como eu”, diz ele.

Apesar do distanciamento dos eleitores, a campanha ganhou as ruas, com fotos dos candidatos espalhadas pelas cidades.

Em Lahore, a grande maioria dos cartazes de propaganda eleitoral pertence à Sharif. Já em Karachi, no sul do país, predominam fotos da ex-premiê assassinada e pôsteres dos candidatos governistas, partidários do presidente Pervez Musharraf.

Imram Akhbar lembra que o favorito para receber o maior número de votos em Lahror, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, do PML-N, já esteve no poder duas vezes.

No entanto, o tecelão de 54 anos não faz o mesmo julgamento com relação a Bhutto, que também governou por dois mandatos.

“Tivemos muito azar de perder Bhutto”, diz ele.

Gosto pela política

Uma das características que o povo paquistanês costuma dizer que tem é “o gosto por conversar sobre a política”.

Apesar das barreiras com a língua (a grande maioria só fala urdu) e culturais, em todos os locais visitados pela reportagem em Lahore muitos paquistaneses queriam manifestar sua opinião ao mesmo tempo em que ressaltavam que não vão votar.

“Se fosse votar, escolheria Sharif, quero que ele ganhe. Ele fez ótimas coisas para a cidade. Mas se Bhutto estivesse viva, votaria nela”, diz o comerciante Mohammed Akran.

Em Karachi, ocorreu fenômeno parecido.

“Votaria no MQM (partido do governo) porque fizeram sempre boas administrações para Karachi”, diz a estudante de ciências sociais Mehmood Siddique, de 23 anos.

Além de desilusão com a transparência do processo, outros fatores estão desestimulando os eleitores. Bombas em encontros políticos mataram mais de mil pessoas em 2007.

Mesmo o custo de votar é apontado como empecilho. Para se registrar eleitoralmente, cada cidadão deve pagar uma taxa de 100 rupias paquistanesas, equivalente a cerca de R$10.

Em um país onde a maioria está abaixo da linha da pobreza, a quantia é suficiente para afastar os eleitores.

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