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Atualizado às: 18 de fevereiro, 2008 - 09h32 GMT (07h32 Brasília)
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Paquistão vota sob forte esquema de segurança

Soldado paquistanês protege posto de votação no interior do país
Cerca de 500 mil homens protegem postos eleitorais nesta 2ª
Protegidos por um forte esquema que inclui cerca de meio milhão de agentes de segurança, os paquistaneses começaram nesta segunda-feira a votar nos nomes que devem formar o próximo governo do país.

Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado.

Além de 80 mil integrantes regulares do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos Rangers, grupos armados que atuam sob o comando das Forças Armadas.

Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito.

No ultimo dia da campanha eleitoral, sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o homem-bomba, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP.

Sem medo

Mesmo com a ameaça de violência rondando este pleito, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para depositar seu voto dizem não sentir que estão correndo riscos.

“Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege”, afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi.

A poucos metros há outro local de votação só para homens. Eles entram de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se têm medo de possíveis atos violentos, todos são unânimes em dizer que não.

“Deus vai nos proteger e nada vai acontecer. Essas eleições são importantes para mudar o pais”, afirma Abdullah Aviu.

Mas muitos analistas acreditam que a violência deve ser um fator que contribuirá para um baixo comparecimento eleitoral, ainda menor do que os 41 % que votaram nas ultimas eleições, em 2002.

Bhutto

Posto de votação no Paquistão
Analistas dizem que medo será fator importante, mas quem vota diz não temer

A ex-premiê Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro. Sua morte levou ao adiamento das eleições, originalmente previstas para janeiro, e o assunto domina o pleito. Vários candidatos querem associar sua imagem à dela.

No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenirs. Alto-falantes repetem de tempos em tempos seus discursos. O lugar atrai vários admiradores da ex-primeira-ministra.

Mahmoud Akhram diz que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Bhutto e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião.

“Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite”, diz ele.

Mahmoud sorri ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que já depositou seu voto.

“Votei no PPP por Benazir, claro. Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo.”

Fraude

A oposição vem repetindo continuamente que o governo deve fraudar o pleito. Na maioria das sessões eleitorais, representantes dos principais partidos fiscalizam o andamento dos trabalhos, atentos para a possibilidade de manipulação.

Em Rawalpindi, a reportagem da BBC Brasil conversou com três deles.

“Tenho certeza de que tudo vai ocorrer com transparência”, diz Pervez, do partido governista PML-Q.

“Até agora, não ocorreu nenhum problema”, afirma Delshad, do partido oposicionista PML-N.

“É mais difícil existir fraude nos grandes centros urbanos. Se acontecer, é mais provável que seja no interior”, diz a representante do partido de Bhutto, Qau Parvwen.

Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admite que ocorrerá fraude no pleito da segunda-feira.

Qayyum afirma que a gravação, além de falsa, é uma tentativa de desestabilizar o país.

Já o presidente Pervez Musharraf afirma que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram.

A apuração terá inicio imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (horário local, 9h de Brasília).

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