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Palco de confrontos, Mesquita Vermelha foi pintada de bege | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Mesquita Vermelha de Islamabad, que ganhou projeção mundial no ano passado por ter sido palco de violentos confrontos entre militantes fundamentalistas e o exército paquistanês, perdeu a cor que lhe deu o nome, tendo sido pintada de bege. "Isso foi apenas mais uma medida covarde deste governo que esta traindo o país", afirmou um clérigo presente no local neste domingo. Ele não quis revelar seu nome nem dar mais declarações. O ambiente ao redor da mesquita é de tensão. Vários jovens circulam pelo local, mas todos se recusaram a dar declarações alegando não se sentir seguros. Localizada em um bairro nobre da capital do país, a mesquista tem um ar solene. No terreno ao lado, estão os destroços da madrassa (escola religiosa) Lal Masjid, demolida após os inicidentes de julho de 2007. Cerco As madrassas da Mesquita Vermelha, tanto a masculina como a feminina, sempre tiveram reputação de ser centros de radicalismo islâmico. Vários de seus estudantes vêm de regiões tribais, onde os movimentos fundamentalistas são mais fortes. Em declarações feitas na década de 90, Abdul Rashid Ghazi, que administrava o local junto com seu irmão Maulana Abdul Aziz, chegou a admitir ter boas relações com a Al Qaeda e Osama Bin Laden. Mas após os atentados de 11 de setembro de 2001, o local passou a entrar em conflito com o governo do presidente Pervez Musharraf, que tornou o Paquistão um dos maiores aliados americanos na guerra contra o terror. A mesquita vinha continuamente denunciando a posição de Musharraf, chegando a defender seu assassinato. Acredita-se que alguns atentados contra o presidente tenham sido de responsabilidade de grupos ligados à organização, como o Jaish-e-Mohammad. A Mesquita Vermelha vinha também continuamente levantando a questão do número de pessoas desaparecidas no Paquistão, detidas como suspeitas de terrorismo. No ano passado, a Lal Masjid liderou o movimento contra os planos do governo de demolir madrassas em Islamabad alegando irregularidades. Quando, em julho do ano passado, as escavadeiras começaram a destruir parte do complexo, as estudantes, apoiadas por dezenas de militantes fortemente armados, juraram resistir até a morte. O cerco à mesquita durou dez dias. O total de mortos é controverso. O governo fala em 100 pessoas, outras estimativas sugerem números bem mais altos. O prédio em frente, de onde as forças de segurança disparavam contra os estudantes, está em ruínas. Da Madrassa, não existe mais nada. Mesmo assim, os carros costumam reduzir a velocidade quando passam pelo terreno vazio, cumprimentando os poucos estudantes ainda presentes com sinal de reverência. Segundo moradores locais, em respeito pelos que morreram. |
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