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Dia de eleição no Paquistão tem pelo menos nove mortes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pelo menos nove pessoas morreram nesta segunda-feira em episódios de violência durante as eleições parlamentares no Paquistão. Apesar das mortes em episódios esporádicos, não houve grandes atentados durante o pleito, como temia o governo - que enviou cerca de meio milhão de agentes de segurança às ruas. Além de 80 mil integrantes do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos Rangers, grupos armados que também atuam sob o comando das Forças Armadas. A contagem dos votos foi iniciada imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (horário local, 9h de Brasília). Com pouco menos de 10% dos votos apurados, os principais partidos de oposição estavam na frente. Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado. Musharraf Depois de votar, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, disse que todos devem aceitar o resultado das eleições. Musharraf também disse que está disposto a trabalhar com quem quer que saia vitorioso da votação. Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito. No último dia da campanha eleitoral, no sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o autor do ataque, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP. Sem medo Mesmo com a ameaça de violência que rondou a votação, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para votar disseram não se sentir em risco. "Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege", afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi. O local de votação exclusivo para homens ficava a apenas alguns metros do posto feminino. Eles entravam de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se tinham medo de possíveis atos violentos, todos respondiam que não. "Deus vai nos proteger e nada vai acontecer", disse Abdullah Aviu. "Essas eleições são importantes para mudar o país." Mas alguns analistas avaliam que um grande número de pessoas deixou de votar por causa do medo da violência. A expectativa é de um comparecimento ainda menor do que os 41% que votaram nas ultimas eleições, em 2002. Bhutto
As eleições estavam inicialmente previstas para janeiro, mas foram adiadas depois que a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro. A morte de Bhutto foi um dos principais assuntos da campanha, com vários candidatos tentando associar sua imagem à dela. No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenires. Alto-falantes repetiam de tempos em tempos seus discursos. O lugar atraiu vários admiradores da ex-primeira-ministra. Mahmoud Akhram disse que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Bhutto e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião. "Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite", contou. Mahmoud sorriu ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que depositou seu voto na urna. "Votei no PPP por Benazir, claro", afirmou. "Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo." Fraude Em meio às acusações de que o governo tentaria fraudar o pleito, a maioria das sessões eleitorais teve representantes dos partidos fiscalizando o andamento dos trabalhos. Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação em que o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admitia que o pleito desta segunda-feira seria alvo de fraude. Qayyum afirmou que a gravação, além de falsa, foi uma tentativa de desestabilizar o país. Já o presidente Pervez Musharraf disse que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram. |
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