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Atualizado às: 18 de fevereiro, 2008 - 17h20 GMT (15h20 Brasília)
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Dia de eleição no Paquistão tem pelo menos nove mortes

Votos sendo apurados no Paquistão
Primeiros resultados indicam vantagem da oposição
Pelo menos nove pessoas morreram nesta segunda-feira em episódios de violência durante as eleições parlamentares no Paquistão.

Apesar das mortes em episódios esporádicos, não houve grandes atentados durante o pleito, como temia o governo - que enviou cerca de meio milhão de agentes de segurança às ruas.

Além de 80 mil integrantes do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos Rangers, grupos armados que também atuam sob o comando das Forças Armadas.

A contagem dos votos foi iniciada imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (horário local, 9h de Brasília). Com pouco menos de 10% dos votos apurados, os principais partidos de oposição estavam na frente.

Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado.

Musharraf

Depois de votar, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, disse que todos devem aceitar o resultado das eleições.

Musharraf também disse que está disposto a trabalhar com quem quer que saia vitorioso da votação.

Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito.

No último dia da campanha eleitoral, no sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o autor do ataque, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP.

Sem medo

Mesmo com a ameaça de violência que rondou a votação, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para votar disseram não se sentir em risco.

"Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege", afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi.

O local de votação exclusivo para homens ficava a apenas alguns metros do posto feminino. Eles entravam de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se tinham medo de possíveis atos violentos, todos respondiam que não.

"Deus vai nos proteger e nada vai acontecer", disse Abdullah Aviu. "Essas eleições são importantes para mudar o país."

Mas alguns analistas avaliam que um grande número de pessoas deixou de votar por causa do medo da violência. A expectativa é de um comparecimento ainda menor do que os 41% que votaram nas ultimas eleições, em 2002.

Bhutto

Posto de votação no Paquistão
Analistas vêm eleição como referendo sobre governo de Musharraf

As eleições estavam inicialmente previstas para janeiro, mas foram adiadas depois que a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro.

A morte de Bhutto foi um dos principais assuntos da campanha, com vários candidatos tentando associar sua imagem à dela.

No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenires. Alto-falantes repetiam de tempos em tempos seus discursos. O lugar atraiu vários admiradores da ex-primeira-ministra.

Mahmoud Akhram disse que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Bhutto e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião.

"Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite", contou. Mahmoud sorriu ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que depositou seu voto na urna.

"Votei no PPP por Benazir, claro", afirmou. "Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo."

Fraude

Em meio às acusações de que o governo tentaria fraudar o pleito, a maioria das sessões eleitorais teve representantes dos partidos fiscalizando o andamento dos trabalhos.

Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação em que o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admitia que o pleito desta segunda-feira seria alvo de fraude.

Qayyum afirmou que a gravação, além de falsa, foi uma tentativa de desestabilizar o país.

Já o presidente Pervez Musharraf disse que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram.

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