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Atualizado às: 14 de fevereiro, 2008 - 17h49 GMT (15h49 Brasília)
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Líder do Hezbollah desafia Israel em discurso

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah
Nasrallah discursou para milhares no funeral no sul de Beirute
O líder do grupo Hezbollah, Hassan Nasrallah, desafiou nesta quinta-feira Israel a uma guerra aberta durante o funeral do comandante militar da organização, Imad Mughniyeh, que morreu na terça-feira.

Milhares de pessoas comparecerem ao funeral no distrito de Dahiyeh, um reduto do Hezbollah no sul de Beirute.

O Hezbollah, a Síria e o Irã acusam Israel pelo atentado a bomba que matou o comandante militar do Hezbollah, mas o governo israelense nega envolvimento no episódio.

Em seu discurso, transmitido em um telão, Nasrallah se referiu a Mughniyeh como um "herói" e prometeu uma retaliação contra Israel. "Se eles (israelenses) querem guerra, que venham, estamos preparados", disse.

"Podem ter certeza que a resistência continuará e vamos derrotar o inimigo, o sangue dos nossos mártires não será em vão."

Hariri

O evento em homenagem a Mughniyeh foi realizado no mesmo dia em que líderes do movimento governista 14 de Março participaram de outro evento, no centro da capital libanesa, para lembrar os três anos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri.

Sob forte esquema de segurança, políticos falaram à multidão e prometeram que o bloco governista vai eleger um novo presidente para o país.

Eles também voltaram a acusar a Síria de interferir nos assuntos internos do Líbano.

Desde a morte de Hariri, o Líbano enfrenta uma série de atentados a bomba que já mataram vários políticos e jornalistas opositores à influência síria no Líbano.

O país está sem presidente desde o dia 23 de novembro passado, quando o pró-sírio Emile Lahoud deixou o cargo.

Desde então, a sessão do Parlamento para nomear o futuro presidente já foi adiada 14 vezes, com a próxima marcada para o dia 26 de fevereiro.

Impasse

A oposição pró-Síria, liderada pelo Hezbollah, e o movimento governista 14 de Março, apoiado pelo Ocidente, não conseguem chegar a um acordo para escolher o novo presidente.

Analistas temem que a morte de Mughniyeh aumente ainda mais as tensões internas do país.

O professor de ciência política Hassan Krayyem, da Universidade Americana de Beirute, avalia que a oposição terá pouco ânimo para negociar uma solução política com o bloco do governo.

"Eles se concentrarão em uma possível retaliação a Israel, e podem usar a morte de Moughniyeh como uma desculpa para encerrar qualquer acordo para eleger um presidente para o Líbano", disse Krayyem.

O também professor de ciência política Imad Salameh, da Universidade Americana Libanesa, afirma que o assassinato de Mughniyeh terá efeito nos militantes de ambos os lados.

"Há uma tensão no ar, todos os dias vinham acontecendo conflitos entre fações rivais pró e anti-Síria", diz Salameh. "Isso tenderá a aumentar agora."

Confrontos

Desde o início do ano, o país vem sendo sacudido por uma série de confrontos entre militantes dos dois lados em bairros e arredores de Beirute.

No dia 27 de janeiro, tropas do Exército libanês se viram sob tiroteio quando moradores protestavam contra cortes de eletricidade.

O incidente culminou com a morte de sete militantes dos partidos xiitas Hezbollah e Amal. Líderes da oposição culparam o Exército, que até então era visto como neutro na disputa política.

Uma investigação da Justiça militar fez com que 19 soldados, incluindo três oficiais, fossem acusados por suas condutas no incidente.

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