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Milhares se reúnem em Beirute para marcar morte de Hariri | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dezenas de milhares de pessoas chegaram à Praça dos Mártires, no centro de Beirute, nesta quinta-feira, para marcar os três anos da morte do ex-premiê Rafik Hariri. As imagens de emissoras locais mostraram as principais estradas que ligam Beirute ao resto do país congestionadas com carros levando pessoas carregando bandeiras do Líbano - muitas delas militantes dos partidos políticos que formam o Movimento governista anti-Síria 14 de Março. Hariri foi assassinado, junto com outras 22 pessoas, em fevereiro de 2005, num atentado à bomba, causando uma revolta no país. Políticos libaneses acusam a Síria de ter ordenado o atentado, o que é veementemente negado pelo governo sírio. Mesmo assim, protestos de centenas de milhares de pessoas e pressões da comunidade internacional levaram a Síria a retirar seu Exército e forças de inteligência do Líbano nos meses subseqüentes, encerrando 29 anos de ocupação no país. Desde a morte do ex-premiê Rafik Hariri, em fevereiro de 2005, o Líbano enfrentou uma série de atentados a bomba que já matou vários políticos e jornalistas opositores à influência síria no Líbano. Para garantir a segurança nas manifestações de hoje, o Exército e forças de segurança libanesas começaram a posicionar centenas de tropas no início da noite de quarta-feira. Ruas e acessos à Praça dos Mártires, onde ocorrerão as manifestações, estão fechadas para veículos. Carros blindados e atiradores de elite foram posicionados em pontos estatégicos. A segurança foi ainda mais reforçada depois do assassinato, na terça-feira, do comandante do Hezbollah Imad Mughniyeh, em Damasco, capital da Síria. Mughniyeh foi morto em um atentado à bomba, elevando ainda mais as tensões no país e o temor de que militantes pró e anti-governo entrem em confrontos nas ruas de Beirute. Militantes do Hezbollah realizam nesta quinta-feira o funeral do comandante xiita em Beirute, a poucos quilômetros de distância do local da manifestação em homenagem a Hariri. Líderes xiitas, o governo sírio e o Irã acusam de Israel de assassinar Mughniyeh. Confrontos Desde o início do ano, o Líbano vem sendo sacudido por uma série de confrontos entre militantes dos dois lados em bairros e arredores de Beirute. No dia 27 de janeiro, tropas do Exército libanês se viram sob tiroteio quando moradores protestavam contra cortes de eletricidade. O incidente culminou com a morte de sete militantes dos grupos xiitas Hezbollah e Amal. Líderes da oposição culparam o Exército, que até então era visto como neutro na disputa política. Uma investigação da Justiça militar fez com que 19 soldados, incluindo três oficiais, fossem acusados por suas condutas no incidente. Na terça, mais conflitos, entre militantes governistas e da oposição, foram contidos por soldados do Exército, mas desta vez sem vítimas. Libaneses temem que o aumento das tensões podem levar a mais confrontos nas ruas e, com a escalada da violência, culminar em uma guerra civil. Crise O país está sem presidente desde o dia 23 de novembro do ano passado, quando o pró-sírio Emile Lahoud deixou o cargo depois de nove anos no poder. Desde então, a sessão do parlamento para nomear o futuro presidente já foi adiada 14 vezes, com a próxima marcada para o dia 26 de fevereiro. A oposição pró-Síria, liderada pelo Hezbollah, e o movimento governista 14 de Março, apoiado pelo Ocidente, não conseguem chegar a um acordo para escolher o novo presidente. Pela constituição libanesa, a presidência do país deve ser ocupada por um cristão maronita. Ambos os lados concordam no nome do comandante do Exército, general Michel Suleiman, para a presidência, mas divergem na distribuição de poder num futuro governo, poder de veto para a oposição e reformas no sistema eleitoral visando as eleições parlamentares para 2009. O impasse na escolha do presidente do Líbano já é considerada a pior crise política do país desde o fim da longa guerra civil (1975-1990). |
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