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Atualizado às: 15 de fevereiro, 2005 - 09h28 GMT (07h28 Brasília)
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Com morte de ex-premiê, Líbano teme pela paz no país

Manifestante com retrato de Hariri
Hariri foi um dos arquitetos do acordo de Taif, em 1989
O ex-primeiro-ministro Rafik Hariri integra a longa lista de líderes libaneses assassinados nas últimas três décadas do conflito no país.

Em quase todos os casos, ninguém foi levado à Justiça pelas mortes, e a responsabilidade nunca foi atribuída a um culpado de forma confiável e indisputável.

A morte do ex-premiê vai inevitavelmente suscitar temores de que, depois de um período de reconstrução e relativa estabilidade – boa parte sob a liderança do próprio Hariri –, o país pode estar agora prestes a reviver os tempos de turbulência.

Há muita ansiedade em relação à possibilidade de o país ser envolvido em um caldeirão de conflitos regionais e internacionais enquanto o governo americano tenta pressionar a Síria a retirar as suas tropas do Líbano, onde estão desde 1976.

A oposição libanesa já acusou a Síria pelo assassinato de Hariri.

Influência

Embora o ex-primeiro-ministro nunca tenha aderido à oposição anti-Síria no Líbano, fazia anos que ele se desentendia com o grande aliado sírio no país, o presidente Émile Lahoud.

Hariri renunciou ao cargo de primeiro-ministro em outubro do ano passado, depois que uma extensão do mandato de Lahoud por três anos foi aprovada, com grande apoio do governo sírio.

Aliás, alguns dos aliados mais próximos da Síria acusavam Hariri de estar por trás de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU apresentada pelos Estados Unidos pedindo a retirada das tropas sírias.

Alguns integrantes do grande bloco parlamentar de Hairiri participaram de encontros com a oposição que defendiam a retirada da Síria.

Os críticos da Síria com certeza argumentariam que, embora Hariri não estivesse mais no poder, ele era um político de reviravoltas e estava planejando uma nas eleições gerais previstas para maio.

Se ele tivesse retomado o cargo de primeiro-ministro com um mandato forte o suficiente para desafiar Lahoud, ele poderia ter representado uma ameaça à presença militar síria no Líbano.

Pedido

O governo sírio, porém, foi rápido em condenar o assassinato de Hariri em fortes termos.

A responsabilidade pelo ataque foi supostamente reivindicada pelo grupo Vitória e Jihad no Levante, desconhecido até então.

A reivindicação é claramente uma tentativa de implicar militantes islâmicos no atentado, como uma suposta extensão da insurgência saudita.

Isso seria novidade no Líbano.

Não há uma razão aparente pela qual um grupo, de uma hora para a outra, passaria a realizar atentados contra o ex-premiê libanês, ainda que tivesse capacidade para tanto.

Mesmo se a autenticidade for comprovada, a reivindicação não elimina a possibilidade de envolvimento de outras partes no ataque.

Israel

A maneira com que Hariri foi assassinado sugere o envolvimento de uma grande agência de inteligência.

O ataque foi meticulosamente planejado na base de informações fortes e precisas sobre os movimentos do ex-premiê.

O tamanho e a precisão da explosão não deram à vítima chances de sobreviver e mostraram uma capacidade que seria surpreendente se viesse de um grupo pequeno.

Depois de assassinatos similares no passado, analistas libaneses dizem que, enquanto a Síria pode ter sido o suspeito mais óbvio, o incidente pode ter sido planejado por inimigos do país - principalmente Israel - que podem ter motivação de tomar alguma ação que poderia facilmente ser atribuída a Damasco.

Israel certamente tem capacidade para tal, e com certeza será culpado por alguns, apesar da falta de algum motivo óbvio.

Israel nunca negou que seus agentes estavam por trás do primeiro assassinato causado por um carro-bomba no Líbano, quando o chefe do serviço de inteligência palestino Abu Hassan Salameh, culpado por Israel pelo massacre de atletas no Setembro Negro, durante as Olimpíadas de Munique de 1972, foi morto em Beirute em 1979.

Complexidade

Analistas libaneses também dizem que, dadas as maneiras complexas e enganosas com que as agências de inteligência operam, talvez somente um pequeno número de pessoas saiba quem esteve realmente por trás de qualquer assassinato.

Na década de 80 houve uma série de misteriosos assassinatos, a maioria deles envolvendo bombas massivas, o que tornou mais fácil evitar a detenção, ao contrário de outros métodos em que os assassinos podem ter risco de ficar expostos.

Dois presidentes recém-eleitos na época, Beshir Gemayel em 1982 e Rene Muawad em 1989, e o mufti (líder religioso) Hassan Khaled em 1989, foram todos assassinados por bombas.

O mesmo aconteceu com um dos predecessores de Harri no cargo de primeiro-ministro, Rashid Karami, que morreu devido à explosão de uma bomba que havia sido colocada no helicóptero em que ele viajava, em 1987.

Durante o período de relativa tranqüilidade e reconstrução, nos anos 90, esses ataques cessaram.

Mas o ex-chefe da milícia cristã Elie Hobeiqa foi assassinado por um carro-bomba em janeiro de 2002, e o ex-ministro druso Marwan Hamadeh sobreviveu por pouco a um atentado similar em setembro do ano passado.

A morte violenta de uma figura importante como Rafik Hariri vai balançar a confiança de muitos libaneses na paz que eles vêm desfrutando desde o acordo de Taif em 1989.

Hariri foi um dos arquitetos do acordo e da reconstrução do país que se seguiu.

Apesar de sua dinâmica e visão comercial serem vistas como controversas, o bilionário libanês era um dos poucos políticos sunitas capazes de ocupar o cargo de primeiro-ministro, e possivelmente o único com poder suficiente para assumir o cargo e manter uma agenda independente.

Explosão no LíbanoEm vídeo
Veja imagens de área atingida por explosão em Beirute.
Local da explosão Beirute
Carro-bomba mata ex-premiê no Líbano; Veja as fotos.
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