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Reconstrução e dívida marcaram governo do ex-premiê libanês | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri, que morreu nesta segunda-feira em explosão de carro-bomba em Beirute, gostava de ser conhecido como o "senhor Líbano". O ex-premiê dominou a política e a vida empresarial do país depois da guerra e recebia o crédito por ter reerguido o país depois da devastadora guerra civil de 15 anos. Hariri era um empresário bilionário e, usando o poder financeiro, atraiu investimento estrangeiro e criou empresas para reconstrução do centro empresarial de Beirute. Nesse processo, ele sobrecarregou o país com grandes dívidas e deixou o poder em 1998, depois de uma briga com o presidente do Líbano, Emile Lahoud. Mas ele voltou ao posto de primeiro-ministro em 2000 para outros quatro anos, saindo depois por causa da disputa em torno do papel da Síria no país. Fortuna saudita Ao contrário de muitas figuras da política local, Hariri não era de família de políticos ou de clã poderoso. Ele nasceu em 1944, em uma família pobre de muçulmanos sunitas, no porto de Sidon. Depois de estudar para se tornar professor, ele foi para o exterior em busca de fortuna, seguindo o roteiro tão comum a muitos de seus conterrâneos. Ele encontrou emprego em uma empresa de construção na Arábia Saudita e acabou criando sua própria firma, a Saudi Oger. Ele se tornou empreiteiro para o príncipe Fahd, que acabou se tornando rei da Arábia Saudita, e construiu uma fortuna que o levou à lista da revista americana Forbes como um dos cem homens mais ricos do mundo. Estimativas conservadoras indicam que sua fortuna pessoal chegava a US$ 2 bilhões. Os interesses empresariais dele no Líbano incluem um vasto império de mídia. Figura exibicionista, ele era bem visto por líderes internacionais e o presidente da França, Jacques Chirac, estava na lista de seus amigos próximos. Mesmo depois de ter deixado o cargo de primeiro-ministro e entrado para a oposição, Hariri continuava a receber convidados internacionais poderosos. Esperança Quando voltou da Arábia Saudita como primeiro-ministro, em 1992, ele foi percebido como parte dos novos ares em um país que era dominado por ex-líderes de milícias. As pessoas depositaram suas esperanças no empresário, acreditando que ele poderia restaurar a reputação de Beirute como um grande centro financeiro antes da guerra. Ele pôs o país de volta no mapa financeiro internacional com a emissão de bônus em euros e ganhou aplausos do Banco Mundial por seu plano de pedir recursos para a reconstrução. No entanto, seu desempenho econômico foi confuso: seus ambiciosos projetos de empréstimo e construção deixaram uma dívida pública elevada e também um grande déficit público. Isso provocou aumento dos juros e desacelerou o crescimento. Ele era acusado de ignorar os pobres, apesar de seu longo histórico em ajudar obras de caridade. Muitos libaneses começaram a julgá-lo pelos mesmos critérios de cinismo usados para outros políticos, muitos dos quais fizeram fortuna em atividades na guerra civil. Quando Hariri deixou o poder, em 1998, seu legado foi manchado por acusações de que seu governo tinha esgotado o país. Vários integrantes de seu governo foram investigados por acusações de corrupção. No entanto, ele voltou ao poder dois anos depois, em outubro de 2000, tomando o lugar do político veterano Selim Al-Hoss. Hariri governou o Líbano em um período também de renascimento do turismo, em grande parte devido às centenas de milhares de visitantes árabes da região do Golfo. Novamente, porém, ele se desentendeu com seus colegas pró-Síria dentro do governo durante a crise para estender o tempo de governo do presidente Lahoud. Ele nunca se posicionou abertamente contra a Síria na disputa, mas seu pedido de demissão em setembro de 2004 foi interpretado como um protesto claro contra a pressão da Síria pela manutenção de Lahoud no cargo. |
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