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Dos Tweens ao fraldão | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois de uma hora e meia de malhação me sinto um campeão até o momento que me vejo nas pesquisas. Em todos sentidos, sou um caco, estou fora do radar. Pertenço à geração que menos interessa ao que mais interessa, o consumo. Estou falando de Estados Unidos e uma boa parte da classe afluente dos países emergentes. Somos uma geléia parecida. Houve a Lost Generation depois da Primeira Guerra, a Great Generation durante a Segunda Guerra, a Silent Generation logo em seguida, e aí vieram os hippies, os yuppies, a geração Y, a geração Me, a geração tech, a net, a digital, os echo boomers, os milenials, os baby boomers. Os acima de 50 que se danem. Publicitário divide, rotula e conquista. Uma das gerações mais sedutoras do ponto de vista do consumo é a dos filhos dos baby boomers, aqueles que nasceram entre 77 e 94 (os baby boomers vão de 46 a 76). São mais afluentes, mais educados, mais narcisistas e ligados na mídia do que qualquer outra geração. Passam incontáveis horas por semana na internet, celular, televisão, nos iTunes, iPods e videogames. Politicamente são primários. Não sabem os nomes dos senadores e deputados que representam as comunidades e os estados deles no congresso. Não se interessam por musica clássica, nem jazz, nem arte. Como outras gerações, querem sucesso e fama, mas sem esforço, e são mais impacientes. Se não começar por cima, não interessa. Eles se concentram nas comunidades do My Space, Facebook, Xanga, Orkut e sites como You Tube. Sem nenhuma cerimônia terminam a faculdade e voltam para morar nas casas dos pais à espera do emprego certo e sem patrão para dar ordens. É a primeira geração que tem as ferramentas para criar a própria mídia e, além de criadores, são autores e críticos. Daqui a seis anos será a o maior segmento da população americana. E, logo depois deles, virão os tweens. Hanna Montana Antigamente, eu, o avô, era importante até na hora da compra da casa. Agora pesamos menos do que um tween. Há dois meses eu nem sabia quem eram eles. A expressão foi criada no Canadá e pegou. Os grupos etários variam conforme a geografia, mas, para simplificar, tweens são crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, a turma que nasceu depois de 94. Eles têm muito mais influência do que os avós nas decisões de família. Na hora das compras pesam em mais de US$ 40 bilhões. A heroína deles, neste momento, é a Hanna Montana, criação da Disney. Uma superstar com duas identidades. Uma, doméstica, onde vive os dramas comuns das meninas da idade dela. Noutra, é uma super estrela. Há um ano, era desconhecida. Agora temos os cds Hanna, as danças Hanna, as roupas Hanna e, a partir de janeiro, o super show da Hanna com ingressos a US$ 3 mil no câmbio negro para a noite da estréia. O show, já esgotado, vai se chamar Best of Both Worlds e vai percorrer o país com ingressos mais caros do que os de Bruce Springsteen e a maioria dos grandes nomes do rock americano. Os de 60, como meu caso, pertencemos à geração fraldão. Interessamos à indústria farmacêutica, hospitais, abrigos e colônias de aposentados, políticos de alguns estados como a Flórida. Nos Estados Unidos, é uma geração cada vez mais pobre. Parece difícil de acreditar, mas menos de 20% da população americana tem US$ 100 mil na poupança. Não há Hanna nem filho de boomer capaz de mexer com nosso fraldão. |
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