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Lucas Mendes: Professor Imperial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O nome é Niall (pronuncia-se Nil) Ferguson, escocês de nascimento, educado em Oxford onde agora é professor de História Política e Financeira no Jesus College. Ensina também em Harvard em dois departamentos, de Business e História. Aos 43 anos e aparência de 35, é uma estrela do mundo acadêmico. Com pinta de galã e voz de narrador profissional, escreveu e apresentou no Canal 4, inglês, uma série de seis episódios sobre a Ascensão e Queda do Império Britânico. O livro que acompanhou o documentário foi best-seller em vários países do mundo. Fui passar uma tarde com ele para fazer uma entrevista e, quando comentei que, pelo conforto da sala, ele estava sendo muito bem tratado em Harvard, Ferguson respondeu que a sala é modesta perto da que ocupa em Oxford, onde tem até um banheirão mas, academicamente, ele está mais satisfeito com Harvard. Para dar suas aulas na Inglaterra e nos Estados Unidos, Ferguson cruza o Atlântico sem parar e tem mais milhas do que estrelas pops ou executivos, mas o universo dele é mais vasto do que campus universitário. Além de seriados para a televisão, ele publica colunas e ensaios em jornais americanos e ingleses, mas o que mais assombra seus colegas acadêmicos - e seus críticos - são seus livros, não só pela quantidade mas também pela qualidade da pesquisa e pelas controvérsias. Ele publicou oito livros, vários premiados, a maioria sobre guerras, impérios e as conexões das finanças com a política. Sua Ascensão e Queda do Império Americano também entrou na lista dos best-sellers mas um dos livros mais controvertidos foi sobre a história que poderia ter sido mas não foi: Virtual History: Alternatives and Counterfactuals. Ferguson, por exemplo, argumenta que a Grã-Bretanha não deveria ter metido o bedelho na Primeira Guerra Mundial. Não era da conta dos britânicos. Sem a entrada deles, os alemães teriam vencido a França numa guerra rápida e fácil com menos mortes e a Alemanha teria se tornado uma próspera democracia liberal. Hitler jamais teria surgido. Ferguson, um homem tão bem educado, foi o primeiro entrevistado meu que chegou meia hora atrasado para nosso compromisso sem dar um aviso prévio. Ninguém conseguia localizá-lo no campus de Harvard. Homem enrustido. Achei que ele merecia pelo menos um susto e, quando perguntou qual seria o foco da nossa entrevista, eu disse a ele: - Vamos falar sobre os impérios português e brasileiro e espero que tenham avisado ao senhor que a entrevista é em português. Há muito tempo não via uma reação de surpresa e tristeza tão instantâneas. Ele colocou cabeça entre as mãos, suspirou fundo, e disse: - Sei muito pouco sobre estes impérios. O de Portugal foi importante mas não me sinto preparado. Ninguém me avisou. E não falo português. Se quiser alemão ou francês, a gente tenta. - Então vamos falar em inglês sobre os impérios e guerras que o senhor conhece. Foi um boa entrevista, inclusive com uma comparação entre os impérios britânico e português. |
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