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Atualizado às: 20 de setembro, 2007 - 08h53 GMT (05h53 Brasília)
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Muito céu e pouca pista
Em três semanas no Brasil fiz 11 vôos. Só dois não atrasaram. Um na Total, entre Rio e BH, com escala em São João del Rei, e o vôo de volta Rio-SP-NY, pela American.

O de ida, na TAM, foi um dos piores. Saiu com quase quatro horas de atraso do JFK e perdi a conexão SP-BH.

Me mandaram para Congonhas, onde passei o dia ouvindo passageiros trocar histórias pavorosas sobre a aviação brasileira.

Cheguei em BH quase às 7h da noite, depois de 28 horas de viagem - de ponta a ponta -, mas perto do que ouvi em Congonhas meu drama era chinfrim, e quando, depois de oito horas, finalmente entrei no vôo da Varig para BH me sentia um sortudo.

Quando voltei, a aviação daqui também estava nas primeiras páginas do jornal. Deveria estar na página policial.

Parecia Brasil. Cada dia um quase acidente ou um vôo mais pavoroso.

Alguns passageiros passaram nove horas dentro do avião num aeroporto. A água e a comida acabaram, e os banheiros entupiram.

Noutro vôo, não só entupiram como transbordaram pelo chão da cabine, e um vôo da Continental entre Caracas e Newark foi desviado para Baltimore, onde os passageiros ficaram mais cinco horas dentro do avião.

Famintos, cansados e enfurecidos, começaram a bater nos compartimentos de mala em cima das poltronas. Quando saíram do avião foram todos presos e interrogados por duas horas.

Há unanimidade das partes envolvidas, de passageiros, presidentes das empresas aéreas à diretora da FAA (a ANAC daqui), que o sistema está à beira do colapso, mas é impossível chegar a um acordo sobre a solução.

Não há falta de dinheiro, nem de tecnologia, nem é questão de segurança nacional, mas há pelo menos meia dúzia de partes fortes interessadas, nenhuma com autoridade para tomar a decisão final.

A atual diretora da FAA reconhece que o sistema está em crise, mas este mês preferiu cair fora e trocou o emprego onde ganhava US$ 175 mil por ano para dirigir um lobby aéreo ganhando US$ 600 mil, sem as turbulências.

Há um plano para resolver o problema. O NextGen, abreviação de Next Generation Air Transportation System, vai custar US$ 44 bilhões.

Até aí tudo bem, mas se começassem a trabalhar amanhã, o NextGen só ficaria pronto em 2025. Até lá, nem pó mais serei.

Nos bons tempos, quando eu tinha uma entevista ao meio-dia em Boston pegava o shuttle das 9h30 no La Guardia e às 11h30 estava na casa do entrevistado.

Esta semana, por precaução, peguei o vôo das 8h para um compromisso ao meio-dia E não é que às 8h10 o avião estava no ar? Cheguei em Boston três horas antes da entrevista.

Entrei no vôo de volta certo que tinha havido um engano e pah! Repeteco. Nenhuma fila, o vôo saiu em ponto e dez minutos depois já estavamos a não sei quantos mil pés.

A bagagem, é claro, não veio. Aí também seria pedir demais.

Quem melhor resumiu a crise foi Phil Boyer, presidente da Associação dos Pilotos e Donos de Aviões (AOPA): há muito céu e pouca pista.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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