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Atualizado às: 05 de julho, 2007 - 08h28 GMT (05h28 Brasília)
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Lucas Mendes: Final romano
A primeira vez que fui a Washington me senti em Roma. Não a dos Césares, mas a do Cecil B. DeMille.

Depois aprendi que não se trata de mera coincidência. O modelo estético e político de alguns dos pais da pátria foi o Império Romano. Benjamin Franklin, um dos mais democratas, se referia à república americana como o império.

Esta semana a república fez 231 anos e as livrarias e bancas estão fartas de previsões sobre o final do império. No recém-lançado "Somos Roma ?", Cullen Murphy compara os EUA com a Roma do Terceiro Século A.D. e conclui que é hora do americano passar a toga.

Um dos pioneiros das previsões do fim do domínio americano é o professor Giovanni Arrighi, que há 28 anos ensina nos Estados Unidos. Passei uma tarde no escritório dele na universidade Johns Hopkins.

No próximo mês sai o último volume da sua trilogia sobre o fim da hegemonia americana ,"Adam Smith em Peking". O primeiro, publicado em 94, "O Longo Século 20" foi traduzido em 15 idiomas e ainda é polêmico. O professor é festejado nos meios acadêmicos brasileiros.

Ele me disse que os americanos hoje precisam de US$ 2 bilhões por dia para manter o império funcionando e só uma medida radical, como uma redução de 20% nos gastos, adiaria o processo da decadência.

"É uma dose muito maior do que a que foi aplicada pelo presidente Reagan. A conseqüente recessão provocou uma chiadeira danada. Hoje nenhum político tem peito ou condições de fazer um corte tão fundo".

Os Estados Unidos não são o único alvo do professor. Ele se especializou em nascimentos e mortes de impérios econômicos. Porque alguns países dominam e perdem o domínio do mundo?

No século 16, a China era rica, unida e poderosa. A Europa não passava de um punhado de cidades-estados, mas durante quatro séculos, dominou o mundo. No século 20, em poucas décadas, os americanos assumiram o controle.

Com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, o mundo parecia deles. Hoje parece cada vez mais asiático, mas Giovanni Arrighi acha que no século 21 não vai haver um império dominante.

"Para um país dominar é preciso haver aceitação do dominado como foi o caso dos Estados Unidos com a Europa. O Ocidente não vai aceitar valores e modelos chineses".

Ano passado entrevistei o professor Toni Judt, autor de "Postwar History of Europe since 1945". Ele também é especialista em fim da supremacia americana, mas prevê o século 21 dominado pelos Estados Unidos da Europa.

"Bobagem", dizem analistas e economistas nesta edição da revista The Economist. "Nenhum país chega nem vai chegar perto do perto do poderio militar americano nas próximas décadas".

Nicholas D. Kristof, Rhodes Scholar, duas vezes premiado com o Pulitzer, fluente, além do inglês, em francês, árabe e chinês, já morou em quatro continentes e com freqüencia critica os Estados Unidos nas suas colunas no New York Times. Ele acha que é cedo para passar a toga.

O argumento dele não é militar: "De 1971 a 2005, os Estados Unidos aumentaram a participação no PIB mundial, de 30.2% para 30.7%. Onde está a decadência? Das trinta melhores universidades do mundo, 22 são americanas e produzem mais engenheiros per capita do que qualquer país. Além disso, os Estados Unidos investem quatro vezes mais em pesquisa e desenvolvimento (R&D) do que os outros 6 países do G-7 juntos".

Este papo de fim de império pode ter mesmo final romano. Acaba em pizza.

Arquivo - Lucas
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