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Atualizado às: 18 de maio, 2007 - 08h09 GMT (05h09 Brasília)
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Irlandeses com teto
Os católicos irlandeses chegaram aos Estados Unidos com a roupa do corpo, com fome e a fama de bêbados analfabetos. Esta era a reputação deles na Inglaterra de 1860, consagrada com uma canção popular, Nina, (“No Irish Need to Apply” – “Nenhum irlandês precisa se candidatar”).

A abreviação aparecia nas ofertas de emprego e informava que não aceitavam irlandeses. A música, a abreviação e a discriminação inglesas chegaram aos Estados Unidos junto com os imigrantes irlandeses. Não conseguiam empregos nas profissões liberais, nas finanças, bancos e outros na categoria do "colarinho branco".

Foi na base do muque, como pedreiros nas construções, operários nas fábricas, nos empregos domésticos que conseguiram trabalho. E passaram a proteger seus territórios - e a discriminar - como eram discriminados. Além de beberrões, ganharam também a fama de violentos, reforçada quando entraram nas polícias e corpos de bombeiros.

Nos Estados Unidos, a fama e a discriminação desapareceram no século 20 mas os irlandeses não se distinguiram pelas grandes fortunas. A própria Irlanda (a República da Irlanda) continuou como modelo de país europeu mais atrasado.

Em menos de trinta anos tudo mudou. A Irlanda enxugou o governo, simplificou a burocracia, reduziu impostos, investiu pesado em educação universitária, ofereceu grandes incentivos para estimular a poupança, atrair investimentos e gerar empregos.

Hoje tem a segunda maior renda per capita da Europa - só perde para o Luxemburgo. Milhares de irlandeses que estavam nos Estados Unidos fizeram o caminho de volta e agora são conhecidos na Europa como “Crispies” - abreviação de “Cash-rich Irish seeking properties in Europe” ( irlandeses ricos com "cash" em busca de imóveis na Europa).

Apesar da ameaça da bolha, invadiram também Manhattan. Eles compram apartamentos na planta, dois, três anos antes da entrega. Algumas construtoras nem lançam os imóveis em Nova York. Vão direto para a Irlanda.

Pagam 900 mil dólares por um apartamento de um quarto que depois alugam por 4000 dólares por mês. Na Irlanda comprariam um apartamento até maior, mas o aluguel não passa de 2.700 dólares.

Parece ótimo negócio, mas não é bem assim. Depois de pagar condomínios e impostos, sobra pouco dos 4 mil do aluguel. A vantagem de comprar imóvel nos Estados Unidos é para quem reside e trabalha aqui porque 100% dos juros são dedutíveis do imposto de renda.

O lucro não parece ser a maior sedução destes novos ricos irlandeses entupidos de euros. Eles querem pedaços desta ilha que seus pais, avós e bisavós construíram com seus braços, uma reconexão mais sentimental do que imobiliária, mais pelo abstrato do que pelo concreto.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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