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Doc Pomus, PhD em melancolia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Doc Pomus teve uma vida tão complicada que seu cartão de visita dizia ”Doc Pomus - Tenho meus próprios problemas". Eram dos grandes. Ele nasceu Jerome Felder, judeu de classe média baixa do Brooklyn, e a infelicidade começou em casa com um casamento miserável dos pais. Aos 7 anos, teve pólio e foi para a cama, onde se apaixonou por musica clássica, que ele traiu pelo jazz e pelos blues na década de 40. Antes dos 18 anos ele era o único branco que cantava blues nos clubes negros de Nova York. Barra pesada. Sua primeira experiência no palco foi por acaso e falta de dinheiro. O que tinha, 25 centavos, dava para apenas uma cerveja e o proprietário queria que ele pagasse o couvert da casa. -Eu não tenho mais dinheiro, mas eu canto. -Então cante. Com suas muletas, Doc subiu no palco, cantou e arranjou emprego. Fez amizades geniais, Duke Ellington e Lester Young - cantou nas bandas dos dois - escreveu Lonely Avenue para Ray Charles, mas, na década de 50, começou a extinção dos blues nos clubes e sua carreira de cantor chegou ao final, embalada no rock de Bob Dylan e dos Beatles. A voz calou, mas Doc tinha ótimo ouvido e aprendeu o truque das letras de rock. Seu parceiro, Mort Shuman, era um adolescente que escrevia músicas otimistas para as letras semi-fossentas de Doc. A combinação explodiu em 59 com uma dúzia de sucessos que lideraram as paradas - Teenager in Love, Save the Last Dance for Me, This Magic Moment, Viva Las Vegas. Elvis Presley foi um dos seus principais clientes . Doc Pomus teve dois casamentos fracassados e Save the Last Dance for Me, um dos seus maiores sucessos, gravada pelos Drifters, foi inspirada na festa do primeiro casamento, quando sua mulher dançava com seus amigos e seu irmão. Uma versão diz que ele escreveu a letra ali mesmo, na mesa, enfossado, vendo a mulher dançar. Uma outra diz que foi escrita vários meses depois, mas ambas confirmam que foi escrita no próprio convite do casamento. Os amigos e o irmão podiam curtir sua mulher à vontade, mas a última dança seria mesmo com ele, na cama. Doc era generoso. Ajudou Bette Middler no começo da carreira e tentou ressuscitar a de Big Joe Turner, que tinha sido seu modelo de cantor nos clubes de jazz e blues. Nem quando estava rico, cercado de amigos famosos e queimando o dinheiro em festões, Doc foi um paralítico feliz. Era gordo, grande, quase sempre um traço amargo pela frustração de não poder realizar os dois sonhos - jogar basebol e lutar boxe. Em menos de cinco anos, sua carreira de letrista entrou em declínio. Seu parceiro Mort se mudou para Paris e Doc foi morar num hotel decadente na decadente Times Square. Vivia de organizar jogos de pôquer e de royalties que ainda pingavam pelos sucessos. Semi-imobilizado pela cadeira de rodas, Doc passava a maior parte do dia e da noite no lobby do hotel conversando com estranhos, marginais, prostitutas, músicos, quem lhe desse ouvidos, inclusive sua segunda mulher. Morreu de câncer do pulmão, pobre e solitário aos 66 anos. Sua vida está na biografia de Alex Halberstadt, The Unlikely Life and Times of Doc Pomus, da editora Capo Press. |
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