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Atualizado às: 12 de abril, 2007 - 09h36 GMT (06h36 Brasília)
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A cabeça (e o cabelo) de Imus
Quem tem peito de chamar um governador e candidato à presidência de "Bichinha Gorda" para dois milhões de ouvintes no rádio e assinantes da TV a cabo? (Uma vez eu chamei um presidente eleito de Jagunço Yuppie e durei pouco no emprego).

O Imus tem peito. Ele é uma das maiores estrelas na mídia americana e ganha dez milhões de dólares por ano para insultar, rir e fazer rir às custas dos outros.

Ótimo investimento. Imus leva mais de 50 milhões para seus dois patrões, a rádio CBS e a televisão MSNBC. Mas Don Imus agora está ameaçado de perder o emprego, não pelo insulto ao governador Bill Richardson e aos gays, mas às meninas do time de basquete da universidade Rutgers, de Nova Jersey.

Pela primeira vez, as jogadoras conseguiram chegar à final do campeonato de basquete universitário. Mesmo derrotadas, entraram para a história, mas não foram cobertas só de glória. Imus se referiu a elas como "nappy headed ho's", "prostitutas com cabelo carapinha" (ou pixaim).

Não é a primeira vez que a expressão gera controvérsia. Em 97, o premiado livro "Nappy Hair" da autora e professora Carolivia Herron, provocou a demissão de outra professora, Ruth Sherman, que leu o livro para as crianças na escola.

Acusada de racismo, quase foi linchada em Brooklyn por negros e latinos. Absolvida pela direção da escola, mas intimidada pelos pais, pediu transferência.

A intenção da autora de Nappy Hair era reforçar e valorizar a identidade negra pelo cabelo. Em resumo, cabelo ruim, como dizemos no Brasil, passava a ser cabelo bom, motivo de orgulho da raça.

O insulto de Imus que mais machucou as atletas não foi o do cabelo. Foi o "ho", uma gíria do hip hop que significa prostituta, uma abreviação de "whore".

Nas letras do hip hop, os negros chamam as negras de todos nomes possíveis e impossíveis e "ho" nem sempre é insulto. Pode ser usado de forma afetiva, como se fosse "minha negona".

Quer dizer, negro pode. Branco, não. Como "nigger", entre negros é afetivo, mas definitivamente proibido para brancos.

Imus tem passado os dias pedindo desculpas em público, confessa que errou, que foi um idiota, um insensível, mas o assunto não sai dos telejornais, das manchetes, nem das páginas editoriais.

Alguns dos maiores anunciantes retiraram seus comerciais. Imus já foi suspenso por duas semanas da radio CBS e demitido na quarta feira da rede MSNBC.

Arquivo - Lucas
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