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A Prova de Bolha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Manchete de maio: "Mercado imobiliário americano teve uma das maiores quedas da história no mês de abril". Manchete desta semana: "Grupo privado faz a maior compra de apartamentos da história". Se quase tudo que você tem na vida está investido num apartamento em Nova York, a bolha, real ou imaginária, é um tormento. Há cinco anos me persegue. "Este mês eu vendo!" E fazer o quê com o dinheiro? Pagar aluguel absurdo? Comprar outro apartamento, caro, pior, e continuar angustiado? Uma caminhada meditativa pelos altos da Quinta Avenida pode ser a melhor terapia. Uns dizem que os melhores são o 820 e o 960, mas o que aparece como estrela da Quinta é o 834, na esquina da rua 64, bem na frente do zoológico do Central Park. Aí estão os prédios com os apartamentos mais cobiçados nesta cidade, onde se fala muito mais sobre imóvel e aluguel do que sobre empregada, assalto ou corrupção do governo. Subindo, a partir da rua 59, são quase trinta quarteirões de prédios semelhantes por fora, diferentes e milionários por dentro. Seus moradores preferem o anonimato, mas desde quando Rudolph Murdoch pagou US$ 44 milhões por um triplex no 834 da Quinta, o prédio teve sua privacidade devassada. Foi em maio de 2005, o preço mais alto até então pago por uma cooperativa em Nova York. A renovação ainda não terminou, mas Murdoch paga US$ 22 mil por mês só de condomínio. O prédio, de 77 anos, tem 14 andares e apenas 24 apartamentos. Foi uma das últimas construções antes da depressão e toda fachada é de pedra sabão. Em 1946, Lawrence Rockefeller, neto do patriarca do petróleo, comprou todo o prédio e depois vendeu os apartamentos no sistema de cooperativa, o mais comum nos prédios de luxo em Nova York. Os donos não são proprietários do espaço, mas de ações proporcionais ao tamanho do apartamento. Num prédio como este só se entra pagando à vista, sem hipoteca ou qualquer tipo de financiamento e o comprador precisa provar que tem um patrimônio dez vezes maior do que o preço do apartamento. Os moradores são quase todos brancos e republicanos. Na última eleição para o Senado, doaram US$ 6,5 mil para a campanha de Hillary Clinton e US$ 41 mil para os adversários dela. Durante uma das piores crises financeiras de Nova York, quando o presidente republicano Gerald Ford se recusou socorrer a cidade e disse que "ela podia cair morta", os preços dos imóveis despencaram. Um apartamento de US$ 400 mil caiu para US$ 80 mil. Os do 834 sofreram menos. No pior período daquela crise, em 75, Antenor Patino, o boliviano magnata do estanho, pagou US$ 1 milhão por um apartamento. Foi o primeiro imóvel a romper a barreira do milhão em Nova York. Hoje vale mais do que US$ 20 milhões, mas os condôminos do prédio são apegados aos seus imóveis. Só a morte e os divórcios costumam separá-los. Não acreditam em bolhas. |
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