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Atualizado às: 30 de agosto, 2007 - 08h28 GMT (05h28 Brasília)
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Mordida do Túmulo
Ela era bonita, sedutora, uma corretora imobiliária bem sucedida que sabia quem era Harry Helsmley e qual o tamanho do império dele, mas sem conhê-lo pessoalmente.

Quando viu o bilionário em um salão, tomou a iniciativa de tirá-lo para dançar e no fim da noite tinha desfeito um casamento de mais de 30 anos.

Qual era o poder de sedução de Leona Helmsley permanece um mistério, mas ela abocanhou uma fortuna de mais de US$ 3 bilhões, que conseguiu dobrar com implacável eficiência, mas tornou-se uma figura repelente, quase medonha.

O botox depois de uma certa idade realça a feiúra, e no caso de Leona reforçava a aparência de maldade.

Com o casamento, ela assumiu o comando do Empire State, Flatiron Building e alguns dos melhores hotéis de Nova York. Ela transformou o Helmsley Palace no centro e símbolo do império imobiliário.

A própria Leona aparecia nos comerciais do hotel, vestida com um manto real, uma cadela maltesa no colo, ao lado do texto: "É o único palácio com uma rainha de prontidão".

A campanha colou e dobrou a ocupação dos hotéis dela, impecáveis pela limpeza, eficiência e, como se descobriu mais tarde durante os processos, pelas suas crueldades. As demissões dos empregados eram gratuitas, as humilhações, cotidianas.

Quando tinha 70 anos caiu na malha fina do leão, e os podres da rainha multiplicaram as vendas dos tablóides. Foi quando ganhou o apelido de Rainha da Maldade (Queen of Mean).

Já tinha doado mais de US$ 35 milhões para caridade, mas a frase que marcou o resto da vida dela foi "só o povinho paga impostos".

Apesar da idade, passou dois anos na penitenciária, de onde saiu muito mais venenosa.

A comida de Trouble, sua cadela maltesa, era preparada por um chef e servida à mão, naco a naco, na boquinha, por uma uma assistente, porque Trouble não comia em tigela.

Contrariando o ditado, ela mordia sempre a mão que a sustentava, e com aprovação da rainha, que dizia: "Good for you, Trouble".

Foram tantas mordidas que a mão acabou deformada e Leona respondeu a mais um processo. Fizeram um acordo fora do tribunal, mas uma nova assistente veio alimentar e ser mordida por Trouble.

Leona morreu semana passada e deixou uma herança de US$ 12 milhões para a cadela, US$ 10 milhões para um irmão, US$ 10 milhões para dois netos, US$ 100 mil para o motorista e nenhum centavo para outros dois netos: "eles sabem porque", ela registrou no testatamento.

O total da herança foi calculado entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões, e o grosso vai para a caridade, mas Leona será sempre lembrada como a Rainha da Maldade que deixou US$ 12 milhões para uma cadela.

Nao há bilhão capaz de tirar do povo o prazer da maledicência.

Arquivo - Lucas
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