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Atualizado às: 01 de novembro, 2007 - 08h12 GMT (06h12 Brasília)
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Modelo Missouri
Fiz a pesquisa: metade da minha correspondência me pede dinheiro, e não são contas. Essas são 20%. Quase todo o resto vem de cartões de crédito oferecendo grana, companhias de seguro ou revistas e jornais oferecendo assinaturas.

Os pedidos são de ONGs, empresas e organizações de caridade. Sou mais para pão-duro do que para caridoso, parte genética, parte dureza mesmo.

Apesar dos descontos autorizados pelo imposto de renda, não dôo nem aqueles 10% bíblicos que tantos americanos doam, mas sou fascinado por estes doadores que, em vida ou na morte, transferem suas fortunas para estranhos. Se tivesse uma fortuna também transferiria.

Se dependessem de mim os pobres estariam ainda piores. Mando um dinheiro para a rádio e televisão públicas, outra merreca para as associações de proteção do consumidor, um chequinho para a Brasil Foundation, que recolhe dólares aqui e aplica em dezenas de ONGs no Brasil. Este ano ainda estou devendo.

Sou membro do Conselho Consultivo da Pro Juventude, uma ONG criada há três anos pela Rachel Stepaich que, apesar do nome, é juiz-forense da gema, mas mora em Pittsburg, e participo com uma chamada anual de um minuto convocando para um leilão beneficente. Nunca mandei um cheque. Um vexame.

Rachel todos os anos passa férias com a família no Brasil e um dia leu no jornal a história de um garoto de 17 anos, chamado Lucas, que morreu sufocado numa prisão de adultos em Juiz de Fora.

Ela foi à prisão, pesquisou a situação e, entre o choque, a indignação e a esperança, ela criou o Pro Juventude com apoio de especialistas brasileiros e da universidade de Pittsburg. Rachel já tinha experiência em ativismo social aqui e no Haiti. O projeto avança, mas a verba é curta.

Pro Juventude não lida com os jovens e sim com os que lidam com eles. Como treinar os que reabilitam jovens criminosos ou vulneráveis?

Cidade de Deus não é um drama brasileiro. Milhares de jovens americanos, até abaixo de 10 anos, estão em centros de reabilitação.

São programas, em geral, criados e dirigidos pelos Estados. O maior índice de recidivismo entre jovens é no Texas, onde quase 90% cometem crimes pouco depois que recuperam a liberdade. Lá a maioria dos jovens condenados cumprem suas sentenças em prisões convencionais, com adultos.

O programa de reabilitação mais bem-sucedido e que tem servido de modelo para o resto do país é o de Missouri. E não é complicado.

A prisão parece uma escola cercada e com janelas resistentes mas sem grades. Não há uniformes. Os jovens criminosos são divididos em grupos de dez, que estudam juntos a maior parte do dia, praticam esporte à tarde e fazem terapia à noite.

A maioria entra analfabeta ou semi-analfabeta e sai pronta para o exame de Segundo Grau que pode dar acesso à universidade.

Se você trata jovem como criminoso ele se torna criminoso. Se trata como gente, vira gente. Esta é a premissa do criador do programa. Parece muito simples para ser verdade, mas o índice de recidivismo é de 7,3%. Comparado com os 90% do Texas, é dificil argumentar contra.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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